sexta-feira, 2 de maio de 2014

Justiça do Mato Grosso suspende licença prévia da Usina Hidrelétrica São Manoel, no Rio Teles Pires

Para aqueles que ainda acham que Licenciamento Ambiental não serve pra nada...vejam a matéria mais abaixo. Concordo sim com as reclamações de muitos que falam que é um processo lento e moroso, muitas vezes burocrático, porém são estudos ambientais baseados em metodologias científicas, geralmente formulados e aplicados por pessoas que estudaram diversos anos para tal e não em interesses políticos (como está sendo proposto por integrantes do governo). Estes estudos relacionam a fauna, a flora, as pessoas que vivem no entorno de uma área que será afetada e muitos outros pontos, é um trabalho que envolve dezenas e dezenas de pessoas para coletar dados e posteriormente interpreta-los, dessa forma tenta-se projetar o que ocorrerá em toda a zona de entorno de empreendimentos de grande porte (tal qual hidrelétricas - que falam sempre em energia limpa - na verdade é uma energia limpa mesmo, porém a maioria das pessoas não percebe o quanto se destroi para a formação de um grande lago de armazenamento, as consequencias ambientais da formação desse lago, a remoção de diversas comunidades, até de cidades inteiras). Surge como obrigatório pensar-se em alternativas de produção de energia e aqui falo em energia eólica e solar, e esquecer essa ideia de fazer grandes barragens que afetam todo um ecossistema e muitas vezes levam embora belezas cênicas que nunca mais serão vistas (exemplo disso são as hidrelétricas no Rio Uruguai, onde um famoso ponto turístico chamado Estreito do Uruguai já desapareceu no inicio dos anos 2000 e agora querem afundar com o Salto do Yucumã, no noroeste gaúcho). Eu, como Consultor Ambiental, especialista em um grupo de fauna, afirmo sem ressalvas, que para instalação de empreendimentos de grande porte, é inadmissivel que não existam estudos ambientais que façam um levantamento de dados e interpretação dos resultados, com o objetivo principal de mitigar os impactos que este empreendimento causará e qual o papel do empreendedor para compensar essas perdas. A ideia destas postagem é de gerar um debate, diante disso espero opiniões de vocês leitores, para que possamos melhorar nossas ideias e crescer sempre. Abraço a todos. A Justiça Federal do Mato Grosso suspendeu o licenciamento da Usina Hidrelétrica São Manoel, no Rio Teles Pires. O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) deve suspender a licença prévia que concedeu ao empreendimento, sob pena de multa de R$ 500 mil, de acordo com a liminar pedida pelo Ministério Público Federal (MPF). Em sua decisão, o juiz Ilan Presser, da 1ª Vara de Cuiabá, aponta que os estudos de impacto ambiental da usina mostram que a obra atingirá as terras indígenas Munduruku, Kayabi e Apiaká do Pontal. Nesta vivem indígenas que optaram pelo isolamento voluntário como estratégia de sobrevivência, “É inadmissível a imposição da aceleração de um procedimento complexo de licenciamento, que ignore os impactos socioambientais sobre as comunidades com povos indígenas isolados”, avalia o juiz. A Justiça também chamou a atenção para o fato de que não se trata de apenas uma usina, mas de um conjunto de empreendimentos que podem mudar a região inteira. O complexo hidrelétrico do Rio Teles Pires prevê sete barragens. Reportagem de Sabrina Craide, da Agência Brasil, no EcoDebate, 02/05/2014

sábado, 26 de abril de 2014

Puma concolor registrado no norte gaúcho

Depois de quase um ano sem postar nada no blog resolvi noticiar para todos vocês, que algum dia olharam esse blog, um registro que me surpreendeu e me deixou bastante contente, o registro visual de um Puma concolor (puma, leão-baio, suçuarana, onça-parda)nas imediações do municipio de Erechim, norte do Rio Grande do Sul. Estive no local para tentar visualiza-lo, porém ele já havia descido de um Eucalipto de mais de 30 metros de altura e voltado para seu ambiente natural. A aréa que o indivíduo foi acuado por cães é um pequeno talhão de Eucaliptus nas imediações da cidade. Conversei com diversas pessoas que presenciaram o fato, inclusive o dono dos cães, que relatou que estava em busca de pinhões em uma área nativa (nas proximidades da plantação de Eucaliptus)quando seus cães começaram a latir e se distanciaram em direação ao talhão. O senhor continuou sua coleta e na volta percebeu que os cães continuavam latindo e olhando pra cima da árvore, ao olhar na mesma direção avistou o Puma entre os galhos. Diversas pessoas foram até o local (populares, Policía Militar, Bombeiros) para visualizar o animal. O que me foi relatado é que os bombeiros (prudentemente) acharam por bem retirar os cachorros, isolar a área e deixar que o puma descesse e voltasse para seu habitat. Gostaria de parabenizar pela atitude, na certeza de que essa foi a melhor escolha, preservando a vida do animal. Prudentemente, está sendo informado nas mídias locais, algumas orientações em caso de novo encontro com esse belo exemplar de Puma concolor (http://auonline.com.br/web/noticia.php?noticia=6252:orienta%C3%A7%C3%B5es-importantes-sobre-o-felino-que-apareceu-hoje-em-erechim). É um ótimo registro para a mastofauna gaúcha e espero que ele consiga sobreviver por muito tempo, aqui na região ou então em qualquer outro lugar que ele encontre condições adequadas. Para visualizar algumas fotos acesse http://auonline.com.br/web/noticia.php?noticia=6246:animal-silvestre-em-extin%C3%A7%C3%A3o-subiu-em-%C3%A1rvore-para-fugir-dos-c%C3%A3es Em breve pretendo postar um vídeo que foi feito hoje pela manhã.
Vejam o video....................

sexta-feira, 14 de junho de 2013

A importância da humildade na carreira científica


Texto retirado do blog Sobrevivendo na Ciência Blog com dicas para quem está começando na Ciência A importância da humildade na carreira científica Publicado em 16/04/2013 A vaidade faz parte da natureza humana, assim como diversos outros sentimentos, sendo impossível classificá-los como absolutamente positivos ou negativos sem antes dar-lhes um contexto. Contudo, todo sentimento, quando em excesso, certamente traz prejuízos, principalmente para a própria pessoa. É o caso da vaidade, talvez o calcanhar de Aquiles de muitos cientistas e outros profissionais que seguem carreiras intelectuais. Em tempos de competição exacerbada, em que o individualismo impera, resolvi escrever sobre a vaidade acadêmica, a fim de dar um toque para quem está ingressando no Caminho do Cientista. A vaidade é o pior veneno para um neófito, tendo o potencial de cortar pela raiz uma carreira que poderia vir a ser brilhante. Como já dizia o Mestre Yoda, “a vaidade se tornou uma falha comum entre os Jedis”. Na verdade, os cientistas sempre tiveram a fama de serem vaidosos e egocêntricos, mesmo que isso não seja verdade para a maioria de nós. Em parte essa fama vem do ciúme que outras pessoas sentem de quem trabalha em profissões de alto nível, incluindo aí não só os cientistas, mas também artistas renomados, empresários de sucesso, grandes estadistas, sacerdotes importantes etc. Geralmente, anões intelectuais fazem de tudo para trivializar as conquistas dos gigantes. Só que, por outro lado, existem de fato muitos cientistas que acham que a Terra gira em torno dos seus umbigos. São pessoas tão vaidosas, que chegam até mesmo a desmerecer idéias brilhantes, apenas porque são contrárias às suas. Ou, quando esses caras têm algum poder político real, chegam a boicotar quem não segue sua cartilha. Geralmente colegas assim têm teorias e hipóteses de pelúcia e gostam de pensar que a natureza tem que seguir as leis que eles mesmos criam. Esse é o caso de alguns cientistas já estabelecidos. Alguns deles têm talento de fato, mas a arrogância os torna míopes ou até mesmo cegos. Sem saber, eles boicotam a si mesmos, pois sua cabeça dura fica impermeável a novidades e descobertas. Quando menos percebem, já estão estagnados na carreira. Se tinham algum renome no início, a partir desse ponto começam a perder importância gradualmente e a sua imagem vai se apagando até eles caírem no limbo da irrelevância acadêmica e se transformarem em peças de museu. A arrogância mata carreiras que chegaram a ser ou poderiam ter sido brilhantes. De que adianta ter emprego garantido, se o professor narcisista vira uma espécie de zumbi acadêmico? Só que a arrogância é muito mais prejudicial para os padawans, que estão começando a carreira. Neste artigo, tento alertar os neófitos sobre o problema, porque para eles ainda há esperança, já que cavalo velho não aprende truque novo. Nos anos de treinamento científico, quando passamos pela iniciação, o mestrado e o doutorado, devemos trabalhar muito para desenvolvermos as habilidades naturais que porventura tenhamos. É a famosa Regra das Dez Mil Horas, sobre a qual já falei antes (ok, o número exato de horas varia de pessoa para pessoa, mas a idéia da necessidade de um esforço gigante no começo da carreira corresponde bem à realidade). Aí é que está a pegadinha. Quem, seja lá por qual razão for, começa a pensar que já é um cientista pronto antes de o ser de fato, acaba relaxando e não se dedicando à própria formação o tanto quanto deveria. É aquela velha mentalidade tosca do “isso aí é muito fácil, não preciso estudar”. Meu chapa, mesmo os supostos gênios tiveram que estudar os respectivos assuntos de interesse a fundo e praticar, praticar e praticar, antes de despontarem naturalmente como outliers! Ninguém vira gênio ou expert só através do talento: é preciso treinamento e prática também. Infelizmente, essa terrível falha de caráter chamada “vaidade cega” se tornou um problema de enormes proporções, pois vivemos num tempo de competição exacerbada, que começa já no berço (leia-se iniciação científica). O mundo acadêmico oferece muito mais oportunidades agora do que há uns 10 anos, porém o número de pessoas interessadas nessas oportunidades cresceu ainda mais. É um mundo lotado de cientistas competindo por bolsas, empregos e grants. Vejo padawans, ainda não graduados, já se achando autoridades em assuntos que mal começaram a estudar. São pessoas imaturas e tolas, que participam obsessivamente de seminários ou redes sociais só para desdenhar o trabalho alheio, sendo blindados contra críticas direcionadas a eles próprios. Para reconhecê-los, pense naqueles coleguinhas que sempre fazem perguntas em qualquer tipo de apresentação, mesmo quando essas perguntas não acrescentam nada ou são até mesmo capciosas (é óbvio que ter curiosidade é essencial para um cientista, mas aqui estou me referindo àqueles que não perguntam compulsivamente por curiosidade, mas por vaidade). Pense também nos coleguinhas que nunca têm algo de positivo a dizer sobre colegas e professores. São aqueles sujeitos que parecem andar ao mesmo tempo com o nariz empinado e uma nuvem negra sobre a cabeça. Esses Anakins Skywalker, que muitas vezes ainda nem sabem manejar direito um sabre de luz, julgam-se mestres jedi logo após tomarem as primeiras lições. Isso também acontece com alguns, depois de lerem meia dúzia de papers ou, pior, quando ganham prêmios obscuros oferecidos em eventos pequenos, que têm algum significado apenas dentro de um círculo científico muito, muito específico (isso, se tiverem mesmo algum significado), mas que mesmo assim têm o poder de elevar jovens egos às nuvens. Vejo até mesmo alunos de iniciação científica posando de autoridades em redes sociais e sendo extremamente agressivos com os colegas, provavelmente numa tentativa de conquistar espaço na base do grito. Esse tipo de elemento eu chamo de “cientista pequinês”. Geralmente, isso tem uma certa correlação com ser um “aluno feral“. Além da importância do treinamento e da prática, que não canso de ressaltar aqui neste blog, devemos considerar também a importância da experiência. Mesmo se você tiver talento, já tiver recebido treinamento e já tiver praticado as suas dez mil horas, mantenha sempre a sua mente aberta. Ouça quem já trilha o Caminho do Cientista há mais tempo. Antes de criticar os mais velhos, seguindo o calor da juventude, preste atenção ao que eles dizem; não tente reinventar a roda. Muitas vezes, a experiência leva os seus colegas mais velhos a enxergarem ângulos de um determinado tema que você nem sonhava existirem. Não estou dizendo que idade (não a biológica, mas a científica) é sinônimo de sabedoria. Mas idade quase sempre é sinônimo de experiência. Respeite os mais velhos e suba nos ombros dos gigantes, se quiser enxergar mais longe. Portanto, colega neófito, se você ainda estiver em treinamento, tenha humildade. Ouça, peça conselhos, preste atenção, tenha paciência. Se você fizer o seu dever de casa com capricho, um dia será naturalmente reconhecido pelos seus pares. Estou dizendo isso para o seu próprio bem.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Golfinhos treinados pela Marinha dos EUA encontram torpedo raro

Modelo achado no Oceano Pacífico tem mais de 120 anos. Militares usam sonar dos animais para detectar minas no mar. Golfinhos treinados pela Marinha americana para rastrear objetos no fundo do mar encontraram um raro torpedo de mais de 120 anos de idade no Oceano Pacífico, perto da costa da Califórnia. As informações são do jornal “The Los Angeles Times”. Como possuem sonares muito sensíveis, os militares dos EUA apostam nesses mamíferos aquáticos como uma alternativa para localizar minas marítimas que nem mesmo equipamentos caríssimos podem detectar. O torpedo encontrado por um par de golfinhos é do raríssimo modelo Howell, do qual apenas 50 foram produzidos entre 1870 e 1889. Feitos de latão, com comprimento de pouco mais de 3 metros, eles foram considerados revolucionários por não deixarem rastro sobre a água, atingindo seu alvo de surpresa, numa época em que os EUA se esforçavam para afirmar supremacia nos oceanos. Mas logo sua tecnologia foi copiada por um concorrente e o modelo deixou de ser produzido. Até então, havia apenas um exemplar remanescente num museu da Marinha americana. Agora, com o feito dos golfinhos, são dois torpedos Howell conhecidos, ao todo. A Marinha dos EUA treina cerca de 80 golfinhos para a detecção de objetos no mar num centro em Point Loma, também na Califórnia.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Descobertas novas espécies de mamíferos e anfíbios no Peru.

Cientistas afirmam ter encontrado novas espécies de animais no Peru Foram identificados 8 novos mamiferos e 3 novos anfíbios, diz pesquisador. Área onde animais foram encontrados fica próxima à fronteira com Equador. Cientistas da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam) afirmam ter encontrado novas espécies de animais em um santuário ao norte do Peru. Foram identificados um macaco de hábitos noturnos, um novo marsupial, várias espécies de roedores e um porco-espinho, além de três espécies de anfíbios. Apenas os anfíbios já foram descritos cientificamente. A região onde os animais foram encontrados fica próxima à fronteira com o Equador, dentro do Santuário Nacional Tabaconas-Namballe, segundo relato do pesquisador Gerardo Ceballos González, do Instituto de Ecologia da Unam, publicado no site da universidade. O "diário de bordo" de González relata terem sido encontradas oito novas espécies de mamíferos, além de três anfíbios. "Esta é uma das mais importantes descobertas da biodiversidade dos últimos anos, porque todas as espécies foram encontradas em uma área muito pequena", disse o cientista ao site da Unam. Espécies similares ao primata descoberto no Peru recebem o nome popular, no Brasil, de macaco-da-noite. Ao menos duas espécies - o macaco-da-noite andino e o colombiano - são classificadas como vulneráveis na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A expedição foi realizada entre 2009 e 2011, mas só agora o resultado foi divulgado, de acordo com González. A espécie de porco-espinho chama a atenção por seu grande tamanho e por possuir longos espinhos negros nas pontas, aponta o cientista. O pesquisador indica que outro animal encontrado pode representar o espécime de raposa cinzenta mais ao sul já registrado nas Américas. "É provável que seja uma nova espécie", disse González ao site da Unam. O pesquisador indica que os cientistas tiveram que seguir 18 horas por estradas no Peru desde áreas de selva até os Andes, além de andar duas horas a pé, antes de chegar ao santuário. O parque mede 32 mil hectares e fica em uma região de grande altitude, com trechos entre 1,8 mil e 3,2 mil metros acima do nível do mar, diz o cientista. González ressaltou, em seu relato, que a expedição foi acompanhada por pesquisadores peruanos. O santuário, aponta ele, exige atenção especial de ONGs e entidades que atuam contra a extinção de animais pelo planeta, "já que há várias espécies que parecem ser encontradas apenas ali". Fonte: g1.globo.com/natureza

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Águia captura dois peixes ao mesmo tempo em lago na Finlândia

Uma águia foi fotografada no instante exato em que capturava dois peixes em um lago na Finlândia. O autor das imagens, Miguel Lasa, de 49 anos, é médico na Inglaterra e viaja pelo mundo fazendo fotografias da vida selvagem. Lasa relata ter feito as imagens de um local escondido próximo a um lago finlandês. O médico passou sete dias por semana durante todo o verão no país esperando para conseguir fazer as melhores fotografias. As águias costumam capturar trutas e salmões nos lagos da Finlândia, de acordo com Lasa. Ele levou quatro anos em viagens até a Finlândia no verão para conseguir capturar o instante exato da ação dos pássaros.
Fonte: G1

terça-feira, 17 de julho de 2012

Cutia rouba sementes escondidas e ajuda palmeira a se reproduzir.

Roedor tem o hábito de esconder alimento na terra, aponta estudo. Bicho dispersa planta furtando comida estocada pelas companheiras. Essa palmeira, conhecida localmente como “chunga”, tem frutos suculentos com sementes grandes, aparentemente adaptadas para serem comidas e dispersadas por animais de porte maior, como os mastodontes, extintos naquela região há 10 mil anos. Foto mostra cutia comendo fruta da palmeira na floresta do Panamá. (Foto: Christian Ziegler/Divulgação)Cutia come a suculenta fruta da palmeira na floresta do Panamá. (Foto: Christian Ziegler/Divulgação) Sem esses bichos grandes, capazes de engolir as sementes e defecá-las longe do local onde a ingeriram, seria de se esperar que a planta deixasse de se reproduzir e desaparecesse. No entanto, como ela segue existindo, um grupo de cientistas da Europa e dos EUA instalou câmeras na floresta, e pequenos sensores nas sementes para entender como novas palmeiras poderiam crescer em lugares distantes de outros exemplares da mesma espécie. Eles descobriram que as cutias têm o hábito de enterrar essas sementes e, mais que isso, roubá-las dos buracos cavados pelas companheiras. Eles descobriram que havia sementes que eram desenterradas e novamente escondidas até 36 vezes antes de serem realmente comidas. Assim, mais de um terço das sementes foi parar a mais de cem metros dos pés que as geraram. Fonte:g1.com Comentário: ESSE ARTIGO FEZ-ME RECORDAR O PRIMEIRO ESTUDO DE QUANDO EU ESTAVA NA GRADUAÇÃO, QUE RESULTOU EM UM ARTIGO INTITULADO: "Roman_et_al 2010.Fruit manipulation of the palm Syagrus romanzoffiana by vertebrates in southern Brazil. Neotropical Biology and Conservation. , v.5, p.101 - 105, 2010" CASO SEJA DO SEU INTERESSE ESSE ARTIGO ENTRE EM CONTATO COMIGO QUE ENVIAREI COM MUITO PRAZER.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Primeiros habitantes chegaram à América em três ondas migratórias

Os primeiros habitantes da América chegaram ao continente há mais de 15 mil anos e vieram da Ásia em três ondas migratórias separadas. A conclusão é de um estudo realizado por uma equipe internacional de cientistas publicado nesta quarta-feira (11) pela revista científica “Nature”. “Durante anos, se debateu se os habitantes da América procediam de uma ou mais migrações através da Sibéria, mas nossa pesquisa põe fim a este dilema: os nativos americanos não procedem de uma só migração”, ressaltou à Agência Efe o cientista colombiano Andrés Ruiz-Linares, do University College de Londres, autor principal do estudo. Embora os analistas calculem que tenham ocorrido pelo menos três grandes migrações, a maioria das tribos descende da primeira delas, conhecida como os “Primeiros Americanos”. As outras duas levas se limitaram à América do Norte. Quando as ondas migratórias ocorreram, o Estreito de Bering, entre a Ásia e a América, estava congelado, e serviu como ponte entre os dois continentes. A pesquisa analisou o genoma de 52 tribos indígenas americanas, do Canadá à Terra do Fogo, e comparou ao de habitantes de 17 grupos nativos da Sibéria. Ao todo, mais de 364 mil variações genéticas foram consideradas. A análise foi dificultada pela presença de material genético procedente de migrações posteriores, principalmente dos europeus e africanos que chegaram à América a partir de 1492. Por isso, os pesquisadores se centraram apenas nas seções do genoma que procediam totalmente dos nativos americanos. “Tecnicamente, o estudo dos povos nativos americanos representa todo um desafio devido à presença generalizada de traços europeus e africanos nos grupos nativos”, indicou Ruiz-Linares. A ocupação do continente – Os “Primeiros Americanos” teriam se deparado com um continente desabitado, e se estenderam em direção sul, seguindo a costa do Pacífico e deixando povoações em sua passagem. O processo teria durado cerca de mil anos, e suas linhagens podem ser rastreadas do presente. No entanto, o DNA de quatro tribos da América do Norte demonstra que houve pelo menos duas outras ondas migratórias. A segunda percorreu a costa do Ártico até a Groenlândia, e a terceira se dirigiu rumo às Montanhas Rochosas. Essas duas levas de imigrantes teriam sido protagonizadas por indivíduos mais próximos à etnia han, predominante na China, do que aos “Primeiros Americanos”. Ao avaliar o material genético da tribo dos aleútes e dos inuítes, que vivem na Groenlândia, os pesquisadores constataram que metade de seu DNA procedia dos integrantes da segunda migração. No caso dos membros da tribo canadense chipewyan, que viviam entre as Montanhas Rochosas e a baía de Hudson, os especialistas descobriram que tinham 10% do material genético em comum com os protagonistas da terceira leva migratória. O DNA dessas quatro tribos – aleútes, inuítes do leste, inuítes do oeste e ‘chipewyan’ – contém material das três ondas migratórias, mas a maior parte corresponde à primeira. Isso significa que os habitantes asiáticos da segunda e terceira ondas teriam se relacionado com os primeiros que chegaram à América. Segundo Ruiz-Linares, isso fica demonstrado pela menor diversidade genética dos nativos da América do Sul, cujo DNA é mais próximo ao dos “Primeiros Americanos”. “Haveria uma relativa homogeneidade genética dos nativos desde México até o sul do continente, todos derivariam da mesma corrente migratória da Ásia”, explicou Ruiz-Linares. “O povoamento do México rumo ao sul teria sido relativamente simples, com poucas misturas após a separação dos povos [até a chegada dos europeus em 1492]”, acrescentou o pesquisador. (Fonte: G1)

CHUVA DE PINHÕES

Em uma tentativa de recuperar florestas de araucária, árvore típica do Sul, sementes da planta foram despejadas por avião na segunda-feira (9) em campos do interior gaúcho. A operação, batizada de “chuva de pinhões”, foi realizada pela Secretaria do Ambiente do Estado em Campinas do Sul (399 km de Porto Alegre). Cerca de 220 mil sementes da espécie foram carregadas em um pequeno avião que sobrevoou duas ilhas de uma hidrelétrica da região. A área para o cultivo foi cedida pela empresa responsável pela usina, a Tractebel. Segundo a secretaria, a expectativa é que até 20% dos pinhões se desenvolvam. “Vingando 500 mudas por hectares, atingimos nossos objetivos”, disse Roberto Ferron, diretor do Departamento de Florestas e Áreas Protegidas. Ele diz que o despejo de sementes por avião pode ser mais eficiente e menos trabalhoso do que o plantio manual. O objetivo é lançar 10 milhões de sementes em dois anos. Alunos e professores da Universidade Federal de Santa Maria (RS) vão acompanhar o crescimento das árvores. Afetada pela expansão das lavouras no Sul e pela extração por madeireiros, a araucária ou pinheiro está na “lista de espécies de flora ameaçadas de extinção” do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). A árvore pode alcançar até 50 metros de altura e se desenvolve principalmente em regiões com mais de 600 metros de altitude. Fonte: Folha.com Mais informações podem ser acessadas em http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/economia/noticia/2012/06/avioes-serao-usados-para-semear-araucarias-3804315.html

terça-feira, 3 de julho de 2012

Filhote de elefante marinho aproveita a praia do Rosa para descansar

Desde quinta-feira, analistas ambientais estão monitorando um elefante marinho que encalhou no canto norte da praia do Rosa, no município de Imbituba (SC). "O filhote é uma fêmea, que mede 2 metros e 86 centímetros de comprimento. Ela apareceu nos rochedos, ambiente muito similar ao encontrado nas colônias reprodutivas, e se encontra em bom aspecto, bem nutrida, porém, bastante cansada, o que mostra a necessidade de descanso", explica a chefe substituta da APA da Baleia Franca/ICMBio, Luciana Moreira. Nessa segunda-feira, uma equipe de especialistas foi até o local. Na avaliação da veterinária especialista em animais marinhos da ONG R3 Animal, Cristiane Kolesnikovas, o animal está em excelente condição física e reage bem à aproximação, está bem nutrido e com coloração de mucosas normal. “Geralmente se essas condições persistirem, não será necessária a remoção do animal”, diz Cristiane Kolesnikovas. “Ela deve continuar sendo monitorada para verificar eventuais alterações no seu estado de saúde”, complementa. O animal deve continuar sendo monitorado durante os próximos dias e alterações serão verificadas. Segundo a veterinária, a contenção é um processo extremamente estressante e pode causar danos a condição do elefante marinho, havendo risco de morte durante a manipulação. Em caso de encalhes, um protocolo homologado pela APA da Baleia Franca (ICMBio) deve ser seguido. "O objetivo do protocolo é articular a rede de instituições que podem contribuir nos casos de ocorrência de encalhes, seja de animais vivos ou mortos. Neste caso, tivemos o apoio da Policia Ambiental, R3 animal e CMA/ICMBio", explica Luciana Moreira. Procedimentos em caso de encalhes: Como ajudar? - Entre em contato com as instituições responsáveis; - Não tente devolver o animal para a água; - Ajude a isolar a área mantendo pessoas e animais domésticos afastados; - Obtenha fotografias do animal, possibilitando a identificação da espécie e documentação do caso; - Colabore com a sensibilização e a conscientização da comunidade. Proteja a sua saúde - Os animais encalhados podem transmitir doenças aos seres humanos; - Evite respirar o ar expirado pelos animais; - Não se aproxime. São animais grandes em situação de debilidade física, que podem se tornar ariscos com a aproximação de outros indivíduos e causar ferimentos. Fonte: Correio do Povo

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Divina evolução, artigo de Efraim Rodrigues.

Efraim Rodrigues, Ph.D. (efraim@efraim.com.br), Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor pela Universidade de Harvard, Professor Associado de Recursos Naturais da Universidade Estadual de Londrina, consultor do programa FODEPAL da FAO-ONU, autor dos livros Biologia da Conservação e Histórias Impublicáveis sobre trabalhos acadêmicos e seus autores. Também ajuda escolas do Vale do Paraíba-SP, Brasília-DF, Curitiba e Londrina-PR a transformar lixo de cozinha em adubo orgânico e a coletar água da chuva. É professor visitante da UFPR, PUC-PR, UNEB – Paulo Afonso e Duke – EUA http://ambienteporinteiro-efraim.blogspot.com/ Em 1987 eu dava aulas de Ciências na periferia de São Paulo quando alguns alunos mostraram resistência com conceitos básicos em evolução. Fui então atrás da literatura criacionista e a falta de substância rapidamente me levou à fonte primária do muito mais comentado do que lido Gênesis. Ao contrário do que se possa imaginar, não foi uma leitura arrogante tipo – O que pode conter um texto de milhares de anos atrás ? Ao contrário, o Genesis relata 12 eventos da história da Terra em improbabilissima correção cientifica. A resistência religiosa à evolução fez aparecerem versões absurdas como a que diz que a Terra teria 4000 anos de idade, que consegue ao mesmo tempo contradizer os fatos e nem mesmo estar nas escrituras. Duas pessoas querendo entender-se partiriam dos pontos de convergência, e eles não faltam. Evolução é seleção da variação criada pelo acaso. Quem diria que não é a mão de Deus operando atrás deste talvez só aparente caso ? Todas espécies então teriam em si este componente divino de sua criação, além de um componente tangível e concreto, a seleção natural. A mudança de espécies ocorre em poucas gerações e não são necessários grandes instrumentos para observá-la. A presa dos elefantes, por exemplo, fica muito menor em poucas gerações conforme os elefantes com presas maiores são mortos e não tem tempo para deixar filhos. Também ervas daninhas desenvolvem resistência ao herbicida em poucos anos, com sua recente aplicação em vastas áreas. E aquelas espécies feitas em laboratório, os transgênicos ? Internamente, seres vivos são máquinas fisiológicas complexas, que transpõem a informação contida em seus gens em proteínas que nos mantém funcionando. Esta maquinaria adquiriu sua divindade após bilhões de anos de evolução selecionado pelo ambiente. Ao bulir com ela sem ainda conhecer os detalhes de seu funcionamento estamos agindo como uma criança desmontando um relógio. É mais provável estragarmos que consertarmos. Estragar neste caso é produzir espécies que façam coisas que não podemos antecipar, como reproduzir-se com seus parentes próximos nativos ou desenvolver alguma capacidade de tornar-se uma super praga, capaz de invadir outros ambientes. Nesta semana morreu George, o solitário, último indivíduo de sua espécie de tartaruga gigante de Galápagos. Na verdade são muitas espécies que se vão a cada semana. É correto nos omitirmos enquanto o homem destrói a criação divina ? Fonte: Ecodebate, 02/07/2012

terça-feira, 26 de junho de 2012

SACO É UM SACO: A saga continua

Vejam o retrocesso que está ocorrendo em SP. Após decidirem pelo NÃO fornecimento de sacolas plásticas no ano que passou agora revogaram a decisão. Leia a reportagem para total esclarecimento. Redes de supermercados retomam distribuição de sacolinhas em SP Justiça determinou que estabelecimentos voltem a dar embalagens. Algumas unidades se anteciparam; outras redes seguem sem fornecimento. Algumas redes de supermercado se anteciparam à decisão da Justiça e reiniciaram a distribuição de sacolinhas plásticas aos clientes já na semana passada, quando o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que determinava o fim das embalagens foi revogado. É o caso da rede St Marche, por exemplo, cuja assessoria de imprensa informou que as suas 10 unidades na capital paulista oferecem todas as opções aos seus clientes. Nesta segunda-feira (25), a juíza Cynthia Torres Cristófaro, da 1ª Vara Central da capital paulista, determinou que os supermercados de São Paulo voltassem a distribuir, em até 48 horas, embalagens "adequadas e em quantidade suficientes" gratuitamente. O único estabelecimento em São Paulo do Grupo Zaffari, do Rio Grande do Sul, também voltou a distribuir sacolinhas aos seus clientes. De acordo com comunicado, o grupo gaúcho informou “que respeita e segue as orientações dos órgãos e autoridades nas áreas em que atua”. E completou: “A partir da divulgação no Diário Oficial da decisão do Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo, que revoga o Termo de Ajustamento de Conduta, o Grupo Zaffari informa que voltou a distribuir as sacolas plásticas aos seus clientes que eventualmente não tragam as suas embalagens retornáveis próprias”. Segundo a rede, as sacolas que estão sendo distribuídas no hipermercado são desenvolvidas em polietileno verde, também conhecido como “plástico verde”, que possui “a mesma resistência e capacidade de acondicionamento das sacolas de plástico tradicional”. O Grupo Pão de Açúcar, por sua vez, disse que opera de acordo com as determinações da Associação Paulista de Supermercados (Apas) e que, por isso, segue sem distribuir as sacolinhas plásticas em suas unidades. Mesma postura, aliás, adotada pela administração da rede Carrefour nas unidades de São Paulo. Unidades das duas empresas e das redes Pastorinho e Sonda, em diferentes regiões da capital, não tinham retomado a distribuição na manhã desta terça-feira (26). A Apas quer manter o veto às sacolinhas plásticas e propor reajustes no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que foi derrubado na semana passada pelo Conselho Superior do Ministério Público. A associação ainda não se manifestou sobre a decisão da Justiça que determinou a volta das embalagens. Consumidores Com as mais variadas opções à disposição, os clientes não têm mais do reclamar. Alguns clientes, por exemplo, aproveitaram para embalar os produtos nas sacolinhas, mesmo levando a sacola retornável para as compras. Ou seja, levaram as sacolinhas dentro das sacolas de tecido ou outros materiais. Apesar disso, muitos, de olho na preservação do meio ambiente, já incorporaram o hábito de levar as sacolas retornáveis para as compras. É o caso da economista Rosana Ulhoa, de 48 anos, que dispensou as sacolinhas oferecidas pela St Marche do Morumbi, na Zona Sul de São Paulo. “Nem sabia que estavam distribuindo, mas vou trazer sempre a sacola. Inclusive, já vem com a listinha de compra junto”, disse.A cirurgiã dentista Denise Kanashiro Oyafuso, de 40 anos, por sua vez, não abre mão da “praticidade” oferecida pelas sacolinhas. “Prefiro com as sacolinhas. Depois, é só reciclar. Nem estava sabendo, tanto que só comprei o que consegui pegar à mão”, afirmou. Os clientes do Zaffari, na Zona Oeste da capital, também se mostraram divididos em relação à volta da sacolinha. “Não vou fazer questão. Já deixo três sacolonas no carro já faz tempo, antes mesmo de proibirem a distribuição das sacolinhas. Mas acharia legal que tivessem sacos de papel ou caixas no lugar das sacolinhas”, declarou o empresário Amir Hamad, de 28 anos. Já a contadora Heloísa Campos Pereira, de 27 anos, disse que ficou surpresa com as sacolinhas. “Sou favorável. Depois uso para embalar o lixo. Tinha comprado engradados desmontáveis para transportar as compras. Agora, vou enconstá-los”, contou. Inconformismo mesmo só parte dos clientes do Pão de Açúcar da Rua Cardoso de Almeida, em Perdizes, na Zona Oeste, onde as sacolinhas ainda não voltaram a ser distribuídas. “É um absurdo se isso acontecer”, reclamou a advogada Cintia Fondevila, de 32 anos. Decisão da juíza Na decisão, a a juíza Cynthia Torres afirma que entregar embalagens é prática comum. “É notório que a prática comercial costumeira é do fornecimento do lojista de embalagem para que o consumidor leve consigo as mercadorias que adquire, isso ocorrendo em lojas de diversos ramos de atividade”, afirmou na decisão. A juíza ainda questiona o posicionamento dos supermercados em suas contrapartidas ao fim das sacolinhas. "A solução, portanto, nitidamente onera desproporcionalmente o consumidor. E diga-se de passagem que, não tendo os supermercados adotado qualquer providência para substituir as várias embalagens de plástico que internamente utilizam (lá estão os saquinhos de plástico para separar itens vendidos a granel, como frutas, e levá-los a pesar), não trataram mesmo de implementar adequadamente iniciativa de preservação ambiental, chamando a atenção que a parte que oneraria com exclusividade o fornecedor tenha sido justamente a omitida", escreveu a juíza na sentença. Entenda o acordo O acordo que previa o fim da distribuição de sacolinhas plásticas em São Paulo foi derrubado na terça-feira (19) pelo Ministério Público, mas as sacolinhas plásticas não voltaram a ser distribuídas imediatamente. A Apas havia informado que iria manter o veto às sacolinhas e apresentar ajustes no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em reunião com a Fundação Procon. Os consumidores que se sentirem prejudicados pela falta das embalagens devem a procurar o Procon, segundo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo. Os supermercados alegam não existir lei específica que obrigue a entrega de embalagem para compras, mas a OAB argumenta que o Código de Defesa do Consumidor prevê que os estabelecimentos prestem serviços "adequados". Antes da decisão da Justiça, a Fundação Procon informou que iria analisar com o Ministério Público o novo documento elaborado pela Apas com uma alternativa às sacolinhas. Caso a proposta não fosse adequada, “os supermercados deverão oferecer uma alternativa ao consumidor” para levar as compras. Até esta segunda-feira, não havia sido realizada a reunião entre Apas, Procon e MP para avaliar um novo acordo. Fonte: G1. com ENTENDA A DISCUSSÃO SOBRE A LIBERAÇÃO DAS SACOLAS Objetivo da medida A Associação Paulista de Supermercados (Apas) diz que a meta é reduzir a distribuição de sacolas derivadas de petróleo, que causam “grande impacto na qualidade de vida das cidades”. Queda da proibição O TAC foi encaminhado ao Conselho Superior do Ministério Público, que julgou que ele não é válido. O órgão entendeu que ele fere o Código de Defesa do Consumidor. Segundo a Promotoria, ele não garante o equilíbrio entre fornecedor e consumidor, impondo aos clientes o ônus de ter que arcar com a proteção do meio ambiente comprando sacolas reutilizáveis. De acordo com a MP, a decisão sobre a volta da distribuição das sacolas plásticas “agora é questão da associação de classe, pois o impedimento [da distribuição] ajustado no TAC não vigora mais”. Apas justifica veto Na semana passada, a Apas informou que não há lei que obrigue os supermercados a fornecerem sacolinhas. Segundo a entidade, o TAC ainda é válido. “Deixa de ter o condão de executividade, mas tem o condão de eficácia. Logo, o TAC está valendo. Para o consumidor, isso significa que ele deverá ainda abraçar a ideia do meio ambiente, da sustentabilidade, e procurar uma alternativa para que não leve o saco plástico”, disse o vice-presidente da Apas, Roberto Longo. OAB contesta decisão Para a Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP), a lei obriga, sim, o fornecimento de meios gratuitos para que o consumidor consiga levar os produtos para casa. “O Código de Defesa do Consumidor obriga qualquer fornecedor a prestar serviços adequados”, disse o presidente da Comissão de Direito e Relações de Consumo da OAB-SP, José Eduardo Tavolieri de Oliveira. “Pressupõe que o consumidor tem direito de receber dos estabelecimentos meios para acondicionar os produtos e voltar com tranqüilidade e segurança para casa.” Com o fim do TAC, ele afirma que os consumidores não só podem como devem procurar o Procon. Procon diz que vai analisar A Fundação Procon diz que irá analisar com o Ministério Público documento elaborado pela Apas com uma alternativa às sacolinhas. Caso a proposta não seja adequada, “os supermercados deverão oferecer uma alternativa ao consumidor” para levar as compras. Conselho do MP exige alternativa O Conselho Superior do Ministério Público diz que a Apas “deve encontrar uma forma de proteção ao consumidor, diante da possível necessidade de retirada das sacolas plásticas descartáveis do mercado de consumo”. Juíza obriga distribuição A juíza Cynthia Torres Cristófaro, da 1ª Vara Central da capital paulista, determinou nesta segunda-feira (25) que os supermercados voltem a distribuir, no prazo de até 48 horas, embalagens "adequadas e em quantidade suficientes" gratuitamente.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

A FAZENDA que implantou um moderno sistema de funcionamento autossuficiente.

Com o tema “O futuro que queremos”, a Rio+20, conferência sobre desenvolvimento sustentável, começa na próxima quarta-feira (13), no Rio de Janeiro. O Brasil conta com vários exemplos de ações que envolvem sustentabilidade e produtividade. Em Mato Grosso, uma granja modelo produz carne e grão, sem poluição. É uma pequena amostra do que pode vir a ser a atividade agropecuária no futuro. A fazenda, que implantou um moderno sistema de funcionamento autossuficiente, fica entre os municípios de Sorriso e Vera. Ela já está certificada pela ONU por seguir o Protocolo de Kyoto, ou seja, por não emitir gases poluentes. Segundo Paulo Lucion, um dos donos do local, são produzidos por ano 16 mil toneladas de soja e 24 mil toneladas de milho. Eles também criam 220 mil cabeças de porco. O grande diferencial é que tudo isso é feito com impacto ambiental nulo. Em uma frase, Paulo resume a filosofia do sistema: “O subproduto de uma atividade é produto principal para a atividade seguinte”. Foi uma empresa especializada em projetos de sustentabilidade que capacitou a fazenda a transformar o que é considerado lixo em matéria-prima. A empresa trouxe a tecnologia, instalou equipamentos e conseguiu as licenças no Ministério de Ciência e Tecnologia do Brasil e na Organização das Nações Unidas. O projeto tem o nome de MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), uma ferramenta criada pelo Protocolo de Kyoto, que permite aos países desenvolvidos comprar créditos de carbono de países em desenvolvimento. Respeitando a reserva legal, a fazenda cultiva quatro mil hectares de soja e milho. Faz plantio direto, um sistema que evita erosão, melhora o solo e ainda faz captação de carbono. Tudo que se colhe é processado na própria fazenda. Ao lado dos silos, ficam uma fábrica de ração e uma indústria de esmagamento. Uma estrutura, pronta e já testada, tem capacidade para produzir biodiesel capaz de atender toda a frota da fazenda. O farelo produzido é destinado para a ração, à base de milho, que alimenta a granja no sistema de cria, recria e engorda. Doze mil matrizes, de alta genética, são alojadas e tratadas de acordo com o mais recente protocolo de bem-estar animal. De acordo com Jonas Stefanello, coordenador técnico do empreendimento, as porcas em gestação, por exemplo, não ficam mais em gaiolas, como antes, e sim em baias coletivas, onde vivem mais soltas. O confinamento também é mais espaçoso e confortável e eles não cortam mais dentes e rabos dos animais. Lucros e benefícios para o meio-ambiente – A grande questão na criação de suínos é o que fazer com os excrementos, já que o porco excreta na mesma quantidade que come. Na fazenda, o fundo das baias é servido por uma lâmina de água, que conduz os dejetos para uma central de captação. O chorume, então, é conduzido para os biodigestores, onde é tratado em um processo que limpa a água e gera o metano, um dos mais poluentes entre os gases de efeito estufa. O diferente neste processo é que o metano não é liberado no ar. O biogás extraído da granja é, por sua vez, canalizado para alimentar motores que o transformam em energia elétrica. Por ano, a central produz mil quilowatts de energia, que abastecem a fábrica, os secadores e todas as instalações. O sistema gera uma economia de R$ 80 mil na conta de luz anual. “A gente consegue reduzir cerca 80% do consumo de energia, que a gente estaria comprando da rede elétrica”, afirma Paulo. O esgoto tratado, que saem dos biodigestores, vai para lagoas de decantação, de onde é bombeado para as lavouras. É o biofertilizante, subproduto da criação dos porcos. Com esse tipo de irrigação, a fazenda reduz em 40% a quantidade de adubo químico que teria que aplicar na produção da soja e do milho. Além da economia, o adubo orgânico tem menor impacto ambiental. Para completar a modernização, a fazenda acabar de ampliar a integração lavoura-pecuária com pastos irrigados, onde o capim se alterna com as culturas na mesma área. Sai a soja, entra o milho e depois o pasto que, adubado assim, é altamente produtivo. A fazenda consegue a colocação de dez cabeças por hectares, dez vezes mais do que a média nacional. O projeto prevê a engorda de cinco mil bois por ano. Por produzir sem poluir, a fazenda gera um crédito de carbono. A cada 110 metros cúbicos de gás metano que deixa de emitir, um crédito de carbono é gerado. Nos últimos dois anos, a fazenda conseguiu quase 50 mil créditos, vendidos no mercado internacional por cerca de R$ 1 milhão. A fazenda fica com um terço deste valor e o restante fica com a certificadora. Mais importante que o dinheiro, porém, são o biogás e o biofertilizante que sobram do processo, o licenciamento ambiental e, acima de tudo, a consciência de fazer um trabalho limpo. A ONU tem 202 projetos de MDL registrados no Brasil, em várias atividades. Todos estão de acordo com o tripé da sustentabilidade: são socialmente, ecologicamente e economicamente viáveis, ou seja, além de preservar o ambiente, geram lucro. A fazenda de Mato Grosso segue exatamente esse padrão. Seus proprietários acabam de inaugurar um frigorífico, com a intenção de exportar carne sustentável para a Europa. “A gente pensa em produzir alimento de uma maneira autosustentável e com responsabilidade sócio-ambiental. Sabemos que temos compromisso com a nossa geração e com as gerações futuras”, garante Paulo. (Fonte: Globo Natureza)

terça-feira, 5 de junho de 2012

O esgoto do Rio Grande do Sul.

Falta de tratamento de esgoto coloca o Estado nas últimas colocações do ranking nacional de saneamento. O rol de culpados por esse quadro estadual calamitoso inclui gerações sucessivas de governantes, mas também o cidadão comum. A população do Rio Grande do Sul vai passar o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado nesta terça-feira, agredindo o meio ambiente. Cada vez que abrirem a torneira da cozinha, ligarem o chuveiro para o banho ou acionarem a descarga do vaso sanitário, os gaúchos, em peso, estarão remetendo para seus rios, lagos e lagoas todo tipo de resíduos químicos e orgânicos. Poluidores em massa, vão apodrecer os mananciais do Estado, fragilizar a própria saúde e comprometer a água que consomem. Na origem de tantos males está a grande tragédia que o Rio Grande do Sul não enfrentou ao longo da história: seus índices vergonhosos de tratamento de esgoto. Segundo a mais recente Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, de 2008, 85% dos municípios gaúchos tinham tratamento zero — o que colocou o Estado no clube dos 10 piores do país, único sócio fora do eixo Norte-Nordeste. Em vídeo, veja a trajetória da água, dos rios até a sua torneira Nos escassos municípios que oferecem processamento dos dejetos, o serviço é para poucos. Na área de abrangência da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), por exemplo, que compreende mais de 7 milhões de habitantes, só 15% do esgoto produzido vai para estações de tratamento (ETEs). Mesmo Porto Alegre, um dos sete municípios com sistema próprio, apresenta índice constrangedor: produz 4.627 litros de esgoto por segundo, mas só trata 544 (11,7%). O rol de culpados por esse quadro estadual calamitoso inclui gerações sucessivas de governantes — do nível municipal até a esfera federal — que fecharam os olhos para o problema. Mas também abrange o cidadão comum, que não se importa com o destino de seus dejetos e, quando este é oferecido, não se liga à rede para fugir à tarifa. Até 2006, dos 325 municípios que delegam à Corsan o saneamento, apenas 42 haviam incluído exigência de esgoto nos seus contratos com a companhia. Contentavam-se com ter água na torneira. O quadro só começou a mudar a partir de 2007, quando a Lei do Saneamento Básico vetou contratos que não previssem também o tratamento dos dejetos. Desde então, na medida em que as concessões alcançavam a data de renovação, mais 200 cidades gaúchas passaram a terceirizar o serviço à Corsan. — No passado, os prefeitos não tinham interesse em incluir o esgoto nos seus contratos com a Corsan para não se desgastar com o cidadão, que não queria o serviço para não pagar pelo tratamento do esgoto. E a Corsan não tinha interesse por falta de recursos para investir. Durante décadas, ninguém olhou para o esgoto — reconhece o diretor-presidente da companhia, Arnaldo Dutra. Ninguém olhou para o esgoto, também, porque a preocupação brasileira em termos de saneamento era universalizar a oferta de água potável. No final dos anos 60, o governo federal instituiu o Plano Nacional de Saneamento (Planasa) para alcançar a meta de abastecer com água toda a população. Dinheiro grosso foi destinado às companhias locais. No entanto, em 1985, quando parecia ter chegado a hora de olhar os esgotos, o Planasa naufragou. Durante as duas décadas seguintes, o país ficaria sem política e sem dinheiro para o setor. — Criou-se um déficit gigantesco. Alguns Estados conseguiram avançar com investimentos próprios, como São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Mas outros não deram atenção ao assunto. A situação do Rio Grande do Sul é especialmente ruim — avalia o presidente-executivo do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos. O resultado é que agora, para atingir a meta de universalizar o serviço até 2030, estabelecida no novo Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), o Estado terá de aplicar R$ 7,2 bilhões só na área de cobertura da Corsan — o equivalente a R$ 1 mil por habitante. É um desafio gigantesco. Representa uma despesa média de R$ 320 milhões ao ano, a contar de 2010 — mais do que a soma do total investido ao longo de todo o decênio anterior. Para o período até 2015, o ritmo está assegurado. Graças a repasses do PAC e a recursos próprios, a Corsan investirá R$ 1,9 bilhão em cinco anos. Levará o serviço a mais 300 mil domicílios, dobrando a oferta atual. Mas ainda vão faltar 2 milhões de residências. — Trabalhamos para atingir a universalização até 2030. Mas tem de haver uma política permanente de financiamento. Sem aporte federal, não tem universalização — diz Dutra. Um empurrão pode vir da Fundação Nacional da Saúde (Funasa), que que está colaborando na elaboração de projetos de esgoto, com licenciamento ambiental, em mais de 400 municípios — muitos deles fora da área da Corsan. — Os prefeitos querem fazer saneamento, mas faltavam os projetos. Já temos 63 contratados e vamos licitar a realização de mais 350. O tempo de chorar que ninguém faz nada acabou. Agora estamos no desafio de fazer — diz Gustavo de Mello, superintendente estadual da Funasa. Fonte: ZERO HORA

quarta-feira, 30 de maio de 2012

O mundo pode escolher entre 6 e 16 bilhões de habitantes em 2100

O futuro é uma página em branco na qual podemos escrever nosso destino, respeitando as limitações e as circustâncias históricas. O futuro da economia e da população depende das decisões que se tomam no presente e das medidas colocadas em prática nas décadas subsequentes. Em relação ao futuro da população mundial, as projeções da Divisão de População da ONU apontam para três cenários até 2100, que variam de 6 a 16 bilhões de habitantes. O número que será atingido vai depender, fundamentalmente, do comportamento das taxas de fecundidade. A redução das taxas de mortalidade e o aumento da esperança de vida também afetam o resultado final, mas em uma proporção bem menor do que o ritmo dos nascimentos. A Divisão de População estima que a esperança de vida média do mundo vai aumentar de 68 anos em 2010 para 81 anos em 2100. O que é um cenário bastante positivo e otimista e mostra que as pessoas devem viver mais tempo e obter maiores retornos dos investimentos em educação e qualidade de vida. Mas as grandes diferenças nas projeções ocorrem quando se considera as variações nas taxas de fecundidade. Não se trata de grandes variações no número médio de filhos, pois meio filho (0,5 filho) para baixo ou para cima da taxa de reposição (2,1 filhos por mulher) tem como resultado uma variação de cerca de 10 bilhões de habitantes no número a ser atingido em 2100. A Taxa de Fecundidade Total (TFT) mundial estava em torno de 2,5 filhos por mulher no quinquênio 2005-2010. Se esta taxa permanecer neste nível até o final do século, então a população mundial chegará a cerca de 16 bilhões de habitantes em 2100. Se a TFT cair meio filho, ou seja, para algo em torno de 2,1 filhos por mulher até 2050 e permanecer neste nível, então a população mundial chegará a 10 bilhões de habitantes em 2100. Porém, se a queda da fecundidade for mais rápida e mais profunda o resultado será uma diminuição do montante absoluto da população na segunda metade do corrente século. Caso a TFT cai para 2,1 filhos por mulher até 2025 e continue caindo até 1,6 filhos por mulher por volta de 2075, então a população mundial aumentaria até 8 bilhões em meados do corrente século e depois cairia para algo em torno de 6 bilhões em 2100. Desta forma, a Divisão de População da ONU mostra que no cenário de fecundidade média (2,1 filhos) da projeção a população mundial chegaria a 10 bilhões de habitantes em 2100. No cenário de fecundidade alta (2,5 filhos), a população chegaria a 16 bilhões no final do século. E no cenário de fecundidade baixa (1,6 filhos) a população ficaria em torno de 6 bilhões de habitantes em 2100. Portanto, as possibilidades são bem variadas e o mundo pode escolher qual o montante de população gostaria de ter, em um leque de opções que varia de 6 a 16 bilhões de habitantes. Em termos de taxas de fecundidade o leque varia entre 1,6 filho e 2,5 filhos por mulher. Se a comunidade internacional optar por um número menor de pessoas terá que colocar em prática a meta 5b dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio que trata da universalização dos serviços de saúde reprodutiva. O planejamento familiar não tem efeito retroativo, mas possui grande efeito prospectivo. Evidentemente, qualquer opção tem que ser feita de maneira democrática e respeitando os direitos reprodutivos. Também precisa ser uma escolha discutida e refletida de maneira racional e consciente. Infelizmente, a Rio + 20 não agendou de maneira adequada este tema, pois quando se trata de debater as questões populacionais as ideologias e as crenças religiosas costumam falar mais alto e muitas pessoas preferem o silêncio. Todavia, as alternativas estão colocadas e são de domínio público. O mundo pode escolher qual o caminho que deseja seguir: se prefere mais gente com menos consumo; menos gente com mais consumo per capita; ou mesmo, menos gente e menos consumo, com menor impacto ambiental. O leque de opções é amplo. Só não dá para manter o ritmo de crescimento de 78 milhões de pessoas a cada ano e um crescimento ainda maior da produção e do consumo. As atividades antrópicas já ultrapassaram o limite da sustentabilidade do Planeta. Os atuais governantes dos diversos países do mundo, que vão estar reunidos no Rio de Janeiro, em junho de 2012, não podem usar como desculpa o fato de desconhecerem as alternativas colocadas. Vale a pena lembrar que a inação e a omissão são as piores formas de ação. José Eustáquio Diniz Alves, colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br Fonte: EcoDebate, 30/05/2012

segunda-feira, 28 de maio de 2012

'Diário Oficial' publica justificativas de Dilma aos vetos do Código Florestal

A presidente Dilma Rousseff justificou no "Diário Oficial da União" desta segunda-feira (28) os vetos parciais e modificações feitas no Código Florestal alegando “contrariedade ao interesse público e inconstitucionalidade” no projeto aprovado na Câmara. Com o texto da lei ambiental, foi publicada ainda a Medida Provisória (MP) que torna mais rígidas as regras do novo Código Florestal. A medida visa suprir os vácuos deixados com os 12 vetos da presidente ao novo código. Além dos vetos, o governo fez 32 modificações ao texto. Dilma vetou os artigos 1º, 43º, 61º, 76º e 77º e realizou vetos parciais em parágrafos e incisos dos artigos 3º, 4º, 5º e 26º. Os vetos terão de passar pela análise dos parlamentares, em sessão conjunta da Câmara e do Senado e só podem ser colocados em pauta pelo presidente do Congresso, atualmente José Sarney. Não há prazo para serem votados. Para derrubá-los, é necessário o apoio de dois terços dos parlamentares. Desde a redemocratização, somente três vetos presidenciais foram rejeitados pelo Parlamento. Já a MP tem até quatro meses para ser votada, sem perder a validade. Se aprovada na Câmara, vai ao Senado e, caso alterada, volta para a análise dos deputados. Definição do Código Florestal No artigo 1º, que define o objetivo do Código Florestal, a presidente alegou veto ao texto devido à ausência de precisão "em parâmetros que norteiam a interpretação e a aplicação da lei". O texto da Câmara havia cortado itens apresentados no projeto do Senado que reconheciam as florestas e demais vegetações nativas como bens de interesse comum, com a reafirmação do compromisso de protegê-las, além de reconhecer a importância de conciliar o uso produtivo da terra com a proteção das florestas. Descanso dos solos Dilma vetou o inciso XI do artigo 3º, que trata sobre o pousio, prática de interrupção temporária de atividades agropecuárias para recuperar a capacidade de uso dos solos. Segundo a justificativa da Presidência, o inciso não estabelece um período de descanso da terra. Essa ausência, segundo o texto do "Diário Oficial", impede fiscalização efetiva sobre a prática de descanso do solo. Apicuns, salgados e zonas úmidas O parágrafo 3º do artigo 4º também foi vetado, segundo o "Diário Oficial". A regra não considerava apicuns e salgados (planícies salinas encontradas no litoral que são continuidade dos mangues) como Áreas de Preservação Permanente (APPs), e excluía ainda as zonas úmidas. O texto da Câmara passava a considerar margem natural de rios a partir da borda da calha do leito regular (fio de água) e não mais o nível mais alto dos cursos d’água (zonas consideradas úmidas, mas que ficam inundadas nos períodos de cheia). Segundo Dilma isso afetaria os serviços ecossistêmicos de proteção a criadouros de peixes marinhos ou estuarinos, bem como crustáceos e outras espécies. Margens de rios em zonas urbanas O despacho trouxe ainda o veto aos parágrafos 7º e 8º do artigo 4, que se referem à delimitação das áreas de inundação em rios localizados em regiões urbanizadas (cidades). De acordo com o projeto da Câmara, a delimitação seria determinada pelos Planos Diretores e Leis de Uso do Solo dos municípios. De acordo com a justificativa de veto da Presidência, a falta de observação de critérios mínimos de proteção ambiental nessas áreas marginais (que evitariam construções de imóveis próximos a margens de cursos d’água, por exemplo) poderia afetar a prevenção de desastres naturais e proteção de infraestrutura. Uso de reservatórios artificiais Sobre a criação de parques aquícolas (criação de espécies aquáticas, como peixes, crustáceos e outros organismos) e polos turísticos em regiões próximas a reservatórios artificiais (barragens), o veto se refere ao possível “engessamento” do Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno de Reservatório Artificial”. Entretanto, deixa em aberto a discussão sobre como melhor adequar essas atividades. Desmate autorizado em florestas da União e dos municípios Segundo justificativa da presidente Dilma para vetar os parágrafos 1º e 2º do artigo 26, que tratam da definição de quais áreas de preservação podem ser desmatadas de forma legal para uso alternativo do solo (como atividades agropecuárias), o projeto da Câmara aborda de forma “parcial e incompleta” essas normas. De acordo com o "Diário Oficial", já existem regras disciplinadas sobre o assunto na Lei Complementar 140, de 8 dezembro de 2011. A norma citada prevê cooperação entre os poderes municipal, estadual e federal na proteção de paisagens naturais, combate à poluição em qualquer de suas formas e à preservação das florestas, da fauna e flora, dando mais autonomia, por exemplo, aos governos estaduais e/ou municipais em ações que fiscalizam atividades ilegais de desmate ou caça. Recomposição de bacias hidrográficas No artigo 43, sobre a recuperação de Áreas de Preservação Permanente para empresas concessionárias de serviço de abastecimento de água e de geração de energia hidrelétrica, o veto se deu pois “o dispositivo impõe o dever de recuperar APPs em toda bacia hidrográfica em que se localiza o empreendimento e não apenas na área no qual este está instalado”. De acordo com o veto, “trata-se de obrigação desproporcional". Recuperação das margens de rios No artigo 61, que trata das regras de recomposição da vegetação nas beiras de rio, e que levantou polêmica no Congresso devido à possibilidade de anistia a quem desmatou antes de 22 de julho de 2008, o veto foi feito “devido à redação imprecisa e vaga, contrariando o interesse público e causando grande insegurança jurídica quanto à sua aplicação”. De acordo com a publicação no Diário Oficial, o dispositivo “parece conceder uma ampla anistia” a quem desmatou de forma ilegal até 22 de julho de 2008. A justificativa da presidente Dilma afirma ainda que tal fato “elimina a possibilidade de recomposição de uma porção relevante da vegetação do país”. Sobre a recomposição das margens de rios, a justificativa da presidente informa que ao incluir regras apenas para rios com até dez metros de largura, “silenciando sobre os rios de outras dimensões e outras APPs”, o texto do projeto da Câmara deixaria uma “grande incerteza” aos produtores brasileiros. O despacho informa ainda que o texto da Câmara não levou em conta a desigualdade fundiária do país para estabelecer o tamanho das áreas para reflorestamento e informa dado do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), apontando que 90% dos estabelecimentos rurais possuem até quatro módulos fiscais e ocupam apenas 24% da área rural do país. Conservação dos biomas brasileiros No artigo 76, sobre a criação de projeto de conservação e regeneração dos biomas brasileiros, como a Amazônia e o Cerrado, Dilma vetou alegando que o dispositivo fere o princípio da separação dos Poderes ao firmar prazo para que o Chefe do Executivo encaminhe ao Congresso Nacional proposição legislativa. No projeto da Câmara, previa-se que o governo teria prazo de três anos, a partir da publicação da lei, para elaborar proposta. Impacto de empreendimentos no meio ambiente Sobre a criação de um instrumento de apreciação do poder público para medir possíveis impactos ambientais na instalação de obras, denominado “Diretrizes de Ocupação do Imóvel”, apresentado no artigo 77 do projeto da Câmara, Dilma vetou alegando que o dispositivo foi aprovado sem que houvesse definição sobre seu conteúdo o que poderia causar "insegurança jurídica para os empreendedores públicos e privados”. Fonte: g1.com.br

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Degradação florestal contribui para transmissão da febre maculosa (ou ‘febre do carrapato’)

Resultado de estudo irá nortear o controle da zoonose na região metropolitana de São Paulo. Carrapatos de cães transmitem a doença a humanos – Nas regiões norte e sul da zona metropolitana de São Paulo, onde há fragmentos de Mata Atlântica, é possível encontrar uma espécie de carrapato, denominada Amblyomma aureolatum – conhecida como carrapato amarelo do cão –, que é um dos transmissores da febre maculosa (ou “febre do carrapato”). Entretanto, enquanto a região sul – compreendida pelos municípios de Diadema, São Bernardo e Santo André – registra desde os anos 1920 um grande número de casos da doença, na região norte – composta pela Serra da Cantareira e os municípios de Mairiporã, Arujá e Nazaré Paulista – não há notificação da zoonose. Um estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, identificou uma hipótese para explicar a diferença no número de casos da doença entre as duas regiões da cidade. Os pesquisadores observaram que a ocorrência da febre maculosa está relacionada ao estado de conservação dos fragmentos florestais nas quais está o carrapato transmissor. As áreas nas quais os fragmentos florestais estão mais conservados e apresentam maior diversidade de espécies de animais, como as da região norte de São Paulo, não apresentam casos da doença. Já em áreas onde a vegetação foi destruída e poucas espécies de animais permaneceram, como na região sul da cidade, há maior incidência de febre maculosa. Os resultados do estudo, realizado com apoio da FAPESP, foram publicados no início de maio no periódicoParasitology e irão nortear o controle da febre maculosa na região metropolitana de São Paulo. “Comparamos a diversidade de animais entre as duas regiões da zona metropolitana de São Paulo e observamos que na região norte, onde não há casos da doença, as áreas de vegetação são mais bem preservadas e apresentam maior diversidade de animais, enquanto nos municípios da região sul há áreas muito pobres em espécies de animais. Isso pode ser um fator de prevalência da doença”, disse Maria Halina Ogrzewalska, autora da pesquisa, à Agência FAPESP. De acordo com a pesquisadora polonesa, que realizou o projeto com Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP , em fragmentos florestais bem preservados e com grande diversidade de espécies, o carrapato Amblyomma aureolatum parasita diferentes tipos de animais silvestres, como esquilos, aves e ratos, cuja habilidade de transmitir a bactéria Rickettsia rickettsi varia. Já nos fragmentos florestais mais degradados, onde boa parte dos animais desapareceu por consequência da destruição ambiental, os pesquisadores suspeitam que há uma chance maior de o carrapato parasitar espécies generalistas, que podem ser justamente os animais com maior capacidade de infectá-los com a bactéria causadora da febre maculosa. “A maior diversidade de espécies de animais silvestres de uma região diminui a possibilidade de o carrapato se infectar com um patógeno, porque ele tem maior chance de se alimentar de um animal com baixa capacidade de amplificar a bactéria, o que resulta em menores taxas de infecção entre os carrapatos na região. Isso pode ser um dos fatores pelos quais em regiões de mata bem preservada não há registros de casos de febre maculosa”, apontou Ogrzewalska. A doença é transmitida para os humanos por meio de carrapatos de cães domésticos, que ficam soltos nas comunidades situadas em bordas de mata, como as na periferia da região metropolitana de São Paulo. Ao entrarem na mata, os animais podem ser parasitados pelo carrapato e levá-los para dentro das casas, onde podem picar e infectar pessoas com a bactéria causadora da febre maculosa. Porém, os cães domésticos possuem anticorpos específicos contra a bactéria Rickettsia rickettsi e, em função disso, geralmente não adoecem e apresentam cura espontânea. Por isso, são considerados ótimos “sentinelas”. Já em humanos infectados, se não forem tratados a tempo, a febre maculosa pode ser letal. “Estimamos que, nessas áreas da região metropolitana de São Paulo que registram casos da doença, se os pacientes não forem tratados a tempo a letalidade pode chegar a quase 100%”, disse Adriano Pinter, pesquisador da Sucen. Exceção à regra Para avaliar se havia diferenças no número de casos da doença e na diversidade de animais hospedeiros do carrapato nos fragmentos florestais das regiões norte e sul da região metropolitana de São Paulo, os pesquisadores realizaram ao longo de um ano coletas de animais silvestres e cães domésticos. As coletas foram feitas nos municípios de Diadema, São Bernardo, Santo André, Mairiporã, Arujá, Nazaré Paulista e na região do Horto Florestal, na zona norte da capital, de modo a estudar os carrapatos presentes e verificar se estavam infectados pela bactéria. As análises em laboratório revelaram que os carrapatos coletados em São Bernardo e Diadema estavam infectados pela Rickettsia rickettsi e que os cachorros capturados nos dois municípios também apresentavam a doença, detectada pela presença de anticorpos na corrente sanguínea. Já os carrapatos e cães capturados em Mairiporã, Arujá, Nazaré Paulista e na região do Horto Florestal e em Santo André não apresentaram a bactéria. O que, no caso de Santo André, foi uma surpresa para os pesquisadores. “Nós também esperávamos encontrar a doença em Santo André, que está em uma área consagrada de transmissão da febre maculosa e localizada a apenas 4 quilômetros de distância de outro fragmento florestal onde foi detectada a presença da bactéria”, afirmou Ogrzewalska. Ao comparar o estado de preservação do fragmento de floresta de Santo André com o dos outros seis municípios avaliados no estudo, os pesquisadores observaram que ele era muito mais parecido com o da região norte, em termos de diversidade de espécies de animais silvestres. Além disso, o fragmento de floresta de Santo André era menos isolado do que os outros da região sul – que são menores e espaçados uns dos outros –, possuindo corredores ecológicos que possibilitam o fluxo dos animais entre os fragmentos de mata. “As áreas de pico de febre maculosa na região metropolitana de São Paulo coincindem com essas áreas de vegetação muito fragmentadas, isoladas e sem conexão entre elas, que impede que os animais possam transitar”, afirmou Pinter. De acordo com o pesquisador, baseado nos resultados do projeto, a Sucen está analisando imagens dos fragmentos florestais de toda a região metropolitana de São Paulo para encontrar áreas com o mesmo perfil de fragmentação das áreas estudadas com a presença da doença para que possa ser direcionando o controle da febre maculosa. O artigo Epidemiology of Brazilian spotted fever in the Atlantic Forest, state of São Paulo, Brazil (doi:10.1017/S0031182012000546), de Ogrzewalska e outros, pode ser lido por assinantes de Parasitology. Matéria de Elton Alisson, da Agência FAPESP, publicada pelo EcoDebate, 24/05/2012

sábado, 28 de abril de 2012

Aves equipadas com GPS natural

Cérebro de pombos tem ‘GPS’ embutido, revela estudo. Os pombos têm neurônios capazes de ler o campo magnético da Terra e traduzir estas informações para identificar a posição que eles ocupam no planeta e em que direção estão indo. Em outras palavras, estas aves são equipadas com um GPS natural. A existência de sensores capazes de perceber o campo magnético da Terra no bico, nos olhos e nos ouvidos dos pombos já era conhecida. A novidade apresentada pela pesquisa publicada na edição desta sexta-feira (27) da revista “Science” é a resposta de neurônios posicionados no tronco do encéfalo. A descoberta feita com pombos também pode valer para outras aves, já que, segundo os autores, “muitos animais confiam no campo magnético da Terra para a orientação espacial e a navegação”. O artigo é assinado por Le-Qing Wu e David Dickman, neurocientistas da Faculdade de Medicina Baylor, de Houston, nos Estados Unidos. Os cientistas colocaram sete pombos em uma área sem luz e capaz de produzir um campo magnético artificial. Eles então ajustaram este campo magnético em diferentes ângulos e intensidades e, ao mesmo tempo, mapearam a atividade neural dos animais. Foram identificados 53 neurônios, localizados no tronco do encéfalo, com uma resposta significativa às mudanças do campo magnético artificial. Estas células foram especialmente sensíveis à intensidade mais parecida com a do campo magnético natural da Terra. “Como a informação das células é usada para orientação e navegação ainda falta ser descoberto, mas nosso achado demonstra uma evidência neural direta da existência de um sentido magnético no cérebro das aves”, conclui o estudo. (Fonte: Globo Natureza)

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Falcões-de-colera protegem o aeroporto de Porto Alegre

Salgado Filho efetiva o uso de falcões e gaviões para evitar choques entre aviões e pássaros. Desde dezembro, os animais treinados capturaram 156 aves que colocavam em risco os voos no aeroporto da Capital Entre pousos e decolagens nas pistas, um esquadrão de plumas e garras volta a patrulhar os céus no aeroporto Salgado Filho. Em perseguições a 200 km/h, falcões e gaviões treinados tornam o espaço aéreo exclusivo para os aviões. Testado em 2009, o serviço que afasta e captura aves capazes de se chocar contra os voos agora é uma vigilância diária na Capital. Desde dezembro, quando a empresa Hayabusa voltou a usar os falcões, 156 aves foram capturadas no Salgado Filho e remanejadas para a Ilha do Avestruz, em Camaquã. É a efetivação de um projeto-piloto que durou cerca de um ano, visando a diminuir as colisões entre aviões e aves, problema rotineiro em aeroportos. — Em 2009, tivemos uma redução de 80% nos choques, que, na maioria das vezes, não são graves. No entanto, a batida de um urubu ou marreco em uma turbina danifica a aeronave, que corre o risco de queda — explica Douglas Souza, coordenador de Meio Ambiente da Regional Sul da Infraero. Em janeiro de 2009, o pouso forçado de um avião com 155 pessoas a bordo no Rio Hudson, em Nova York, exemplifica as consequências de batidas com aves. Para reforçar a segurança na Capital, em 2012 a Infraero investe R$ 700 mil na falcoaria, em um contrato que pode ser renovado por mais cinco anos. Aeroportos como Pampulha e Galeão também usam o serviço. O atual esquadrão empregado na Capital tem 11 integrantes (mostrados abaixo). Nos intervalos dos voos, eles espantam ou capturam as aves, em especial quero-queros. A intenção não é matar os animais, mas levá-los para espaços monitorados por ornitólogos (especialistas em aves) e afastados do aeroporto, como explica o veterinário e falcoeiro Fabian Fortes. — É uma técnica ecologicamente correta, por ser eficaz e por não usar o abate — referenda Glayson Bencke, ornitólogo do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica. ZERO HORA Maiores informações a repsito das técnicas de falcoaria podem ser acessadas em http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/noticia/2012/04/salgado-filho-efetiva-o-uso-de-falcoes-e-gavioes-para-evitar-choques-entre-avioes-e-passaros-3740662.html