segunda-feira, 1 de agosto de 2016

CAÇA

Caça Galera, hoje, depois de muito tempo, volto a escrever neste blog. quero apresentar, para aqueles que não conhecem a página da EQUIPE JAVALI NO PAMPA (https://sites.google.com/site/pampajavali/home) copiem e colem no seu navegador caso não abra direto. Sei que muita gente é contra a caça, mas vale a pena conhecer toda essa problemática que diversas regiões do país estão enfrentando devido a presença desta espécie exótica e invasora. Leiam, se interem do assunto do javali e leiam as próximas reportagens que colocarei sobre a caça e depois vamos discutir um pouco sobre este assunto que sempre exalta os ânimos de algum dos lados (daqueles que defendem ou daqueles que são contra a caça). Não espero que vocês já saiam emitindo opiniões, mas sim que sugiram leituras que mostrem os prós e contras da caça (não só no País, mas na América do Sul, do Norte, da Europa, Ásia). Aqui pro Brasil podemos focar no javali, já que é a espécie que mais está causando problemas atualmente.

terça-feira, 3 de março de 2015

VIDA DE PROFESSOR UNIVERSITÁRIO


EXCELENTE TEXTO RETIRADO DE https://marcoarmello.wordpress.com/2015/02/12/professor/ DO PROFESSOR MARCO. VALE A PENA LER A LISTA DE COMENTÁRIOS ABAIXO DO POST NA PUBLICAÇÃO ORIGINAL. BOA LEITURA No Brasil, é comum ouvir bizarrices como “O Prof. Fulano reclama de dar aulas demais, mas o cargo dele é de professor, né?”. Ou seja, há muita confusão sobre quais seriam as reais atribuições de um professor universitário. Como esse é o cargo mais importante na carreira acadêmica, vale a pena dedicar um post inteiro a esclarecer essa questão. É claro que, na prática, o que cada professor faz no dia a dia varia muito entre universidades. Na verdade, há uma enorme variação mesmo entre professores de uma mesma universidade. As atribuições também vão mudando, conforme se progride verticalmente na carreira: substituto > assistente > adjunto > associado > titular. Aqui não vou tocar em problemas como concursos-gincana, acomodação, estabilidade fácil, isonomia salarial, salário defasado em relação à inflação etc., que merecem outros posts. Vou focar no sentido maior do cargo. Em outros idiomas e culturas, a diferença entre um professor universitário e outros tipos de professor fica clara já no vocabulário. Por exemplo, no inglês, o termo professor se aplica apenas ao professor universitário, enquanto teacher é o professor de escola e lecturer é o docente universitário, geralmente com doutorado, mas sem título de professor. Sim, nos EUA, Inglaterra e outros países, professor, mais do que um cargo, é um título. No alemão também se diferencia o professor universitário através do termo Professor, enquanto quem dá aulas em escolas é um Lehrer e quem dá aulas na universidade sem ter o título de professor é um Dozent. Não é uma questão de qual tipo de professor é melhor do que o outro, blablabla. Cada professor tem o seu papel no sistema educacional e todos são importantes. É apenas uma questão de diferenciar as carreiras e títulos, para se definir claramente o que se espera de cada professor. Então o que diferenciaria o professor universitário dos outros? Simples: esse cargo foi inventado para ser ocupado por profissionais que associam pesquisa e ensino. Sim, essas duas atividades são indissociáveis no conceito original de professor universitário. Mas, por que, Marco? Porque espera-se que um professor universitário esteja sempre na vanguarda da sua área. Espera-se que ele atue na formação de profissionais de nível superior, ensinando-lhes não apenas o conhecimento já sedimentado, mas também as novidades e macetes. Para se formar em uma profissão de nível superior, o aluno tem que ser apresentado tanto aos fundamentos quanto à vanguarda. Acima de tudo, espera-se que um professor universitário produza ele mesmo algumas novidades. Sim, um professor universitário tem a obrigação não apenas de transmitir, mas também de produzir conhecimento. E a transmissão de conhecimento se dá principalmente em sala de aula, passando informações consolidadas para os aspiras, e também divulgando descobertas em revistas técnicas indexadas e revisadas por pares. Então um professor universitário tem que fazer pesquisa também? Sim, claro! Ninguém se atualiza tanto em uma área, quanto alguém que precisa disso para fazer as próprias pesquisas, porque ama a ciência. And the plot thickens… Pelas leis brasileiras federais e estaduais, a carreia de professor universitário envolve, em geral, cinco pilares: Ensino: coordenação e participação em disciplinas de graduação e pós-graduação, presenciais ou à distância. Pesquisa: investigação científica ou tecnológica para produção de conhecimento. Na verdade, a área da pesquisa envolve mais um monte de coisas além da investigação e publicação, como revisão de artigos, editoração de revistas científicas, organização de congressos, administração de sociedades científicas, consultoria para agências de fomento, assessoria à imprensa, assessoria política dentro da área em que é perito e muito mais. Orientação: formação de novos cientistas através de estágios e projetos orientados de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado. Extensão: assessoria e divulgação de conhecimento científico e técnico para o público externo à universidade através de consultoria, palestras, cursos, exposições, museus etc. Administração: cargos de chefia em geral, cargos em órgão representativos da universidade (câmaras, conselhos, congregações), gerenciamento de projetos, captação de verbas externas, contabilidade, direção de laboratórios, etc. Dependendo da universidade e do seu regimento interno, espera-se que o professor universitário envolva-se com no mínimo dois ou três desses pilares. Os melhores professores acabam se envolvendo com todos. O único pilar obrigatório é o ensino. Só fica desobrigado parcial ou totalmente de dar aulas quem ocupa altos cargos administrativos, como chefe de departamento, diretor de instituto, pró-reitor ou reitor. Significa que, na prática, nem todo professor universitário é obrigado a fazer pesquisa. Vamos destrinchar um exemplo mais concreto: as universidades federais brasileiras. De acordo com a lei que rege essas instituições, o professor universitário “padrão” (sem cargo de chefia ou outras condicionantes) é obrigado a dar de 8 a 12 créditos por semestre. Cada crédito representa mais ou menos 15 h em sala de aula. Ou seja, o sujeito é obrigado a passar dentro de sala entre 120 e 180 h por semestre. Um professor dedicado, que de fato gasta tempo e energia com as aulas, precisa de no mínimo 2 h de preparação (slides, leituras, material biológico para aulas práticas, preparação de computadores etc.) para cada 1 h em sala. Vamos considerar que uma disciplina obrigatória de graduação tem 4 créditos (60 h) e costuma ser organizada de forma a ocupar 4 h em sala por semana. Logo, das 40 h de trabalho semanais determinadas por lei, o professor acaba passando pelo menos 12 h envolvido com a disciplina. Isso, fora as horas gastas com atendimento de alunos e correção de trabalhos. Assim, a conta pode facilmente chegar a 16 h por semana ocupadas com cada disciplina e piora na época das provas e entrega de trabalhos, se o professor não contar com ajudantes. Supondo uma turma com cerca de 60 alunos, imaginem a seriedade da ralação. E, já que o mínimo são 8 créditos, o que nós, professores, enfrentamos é isso vezes dois, pelo menos. Para se ocupar com 2 disciplinas de 4 créditos por semestre, totalizando 8 créditos, e realmente ministrá-las com qualidade, o professor universitário não poderia se envolver com mais nada! A quem estamos enganando? A única forma de aliviar essa carga é através da ajuda de pós-graduandos que atuam como tutores e graduandos que atuam como monitores. Mas nem todo professor ou toda disciplina contam com o apoio de auxiliares. Os tutores remunerados conhecidos internacionalmente como “TAs” (teaching assistants), comuns nos EUA, Alemanha, França e UK, chegaram a ter uma versão brasileira temporária durante o Reuni. Só que o programa foi planejado para durar apenas cinco anos. Só para variar, nada é pensado a longo prazo neste país, tudo é paliativo, tudo é jeitinho. Como alguém pode se dedicar de verdade à pesquisa de ponta tendo sobre os ombros o peso de uma carga didática massacrante como essa? Como alguém pode fazer extensão e atender de outras formas o mundo real fora da Academia, sendo obrigado a dar aulas igual a um burro de carga? Na verdade, como seria possível conciliar qualquer um dos outros quatro pilares da carreira com um ensino de qualidade em grande quantidade? O Brasil tem um verdadeiro fetiche pela sala de aula! Em universidades de ponta, a carga semestral obrigatória do professor não ultrapassa 4 créditos. Na prática, os professores e alunos passam muito menos tempo em sala, justamente porque se dá mais valor à independência dos aspiras. O bom aluno do ensino superior gasta a maior parte do seu tempo estudando por conta própria, sozinho ou em grupo, através de tarefas orientadas ou leitura espontânea. O momento em sala com o professor na aula teórica (lecture ou Vorlesung) serve para apresentar ou consolidar o conteúdo principal, receber orientações, tirar dúvidas e passar tarefas. No Brasil, castramos a individualidade, a criatividade, a autonomia, a iniciativa e o livre pensamento, porque insistimos em adestrar os alunos em cativeiro. Ok, estou divagando. Voltando ao ponto de vista do professor, dá para entender porque nunca chegaremos ao mesmo nível de qualidade em ensino e pesquisa do primeiro mundo? Ficou claro porque estamos fadados a enxugar gelo e ficar sempre dois passos atrás dos nossos colegas mais afortunados? Por favor, nunca mais diga que um professor universitário brasileiro não pode reclamar de dar aulas demais, porque “tem cargo de professor”. Isso é tão estúpido quanto dizer que um professor universitário que tem bolsa de produtividade está desrespeitando a dedicação exclusiva, porque é também “pesquisador do CNPq”.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Zoos x Santuários


Texto retirado de http://www.oeco.org.br/convidados/28902-zoos-x-santuarios-uma-disputa-sem-futuro-e-sem-utilidade Gostei do texto da Yara (Presidente da Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil e Diretora Técnica do Parque das Aves). Vale a leitura... Qual a opinião de vocês quanto aos Zoológicos do Brasil? Quando comecei a trabalhar em um zoo, tinha a impressão que todos os argumentos contrários à existência destas instituições vinham de pessoas que eram contra manter animais em cativeiro. Após assumir a presidência da Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil (SZB), há quase dois anos, percebi que o que incomoda mesmo é o fato de termos um público, o que para os críticos significa que estamos explorando economicamente os animais. É bem interessante, pois 56% das 124 instituições no Brasil não cobra entrada. Ao demonizar os zoos pelo papel de vilões capitalistas, sobram os pretensos "santuários" (não existe esta designação na legislação), que mantém também animais em cativeiro, mas vestidos com essa roupagem que mais parece funcionar como uma capa de invisibilidade e os torna praticamente imunes a críticas. Afinal, estão salvando os animais de nós, porcos capitalistas. O que mais me impressiona é que as pessoas não se revoltam se os animais estão mantidos em condições inadequadas em santuários. Parece que eles têm um salvo-conduto que lhes permite transitar pelo universo de cativeiro sem serem julgados ou avaliados, pois representam "o bem". E o fato de que em santuários os animais também estão em cativeiro parece ser irrelevante para os que defendem sua existência. Zoos trabalham com reprodução para a conservação, da qual dependem muitas espécies criticamente ameaçadas ou extintas na natureza. Temos exemplos no Brasil de duas espécies extintas na natureza que podem ser salvas por reprodução em cativeiro: a ararinha-azul e o mutum-de-Alagoas. Hoje, não existem ararinhas em zoos brasileiros, apenas em um criador particular, mas por muitos anos o Zoo de São Paulo integrou o programa. O programa de conservação do mutum-de-Alagoas agora terá a participação inicial de três zoos: Parque das Aves, Sorocaba e Bauru. Isso é uma contribuição direta dos zoos para a recuperação de uma espécie extinta na natureza. Trabalhos de recuperação de espécies e ambientes custam caro. Manter animais em boas condições custa caro. Apoiar técnica e financeiramente projetos de conservação em campo tem um custo altíssimo. O que os zoos arrecadam é importante para cobrir estes custos. No mundo, zoos são o terceiro maior financiador de projetos de conservação. Acho interessante o discurso "libertário" de instituições que acham que zoos não devem existir e que devemos soltar todos os animais (há cerca de 50 mil animais nos zoos brasileiros). Políticos oportunistas vez por outra propõem projetos de lei para transformar zoos em santuários. Este tipo de projeto costuma não ter pé nem cabeça e faz você pensar em que planeta de natureza intocada a pessoa vive. Quando os leio, piscam na minha frente duas palavras em um letreiro cheio de luzes: populismo e oportunismo. Considerando que milhares de animais são apreendidos diariamente oriundos do tráfico e montes de animais são resgatados vítimas de acidentes de caça, maus tratos e atropelamentos e que são destinados para zoológicos, eu sempre pergunto para estas pessoas: qual é o plano? Para onde estes animais seriam levados? Quem cuida? Com que recursos? Qual seria o projeto para espécies ameaçadas na natureza ou mesmo extintas -- e que precisam ser reproduzidas em cativeiro -- terem uma chance de sobrevivência? Adoraria ler o projeto deles para o gerenciamento da fauna no país. Mas a questão é esta: geralmente não há projeto, só discurso. Não há trabalho de educação, ou ações concretas para impedir a retirada de animais da natureza, por exemplo, para comércio ilegal. Ano passado os zoos do Brasil se engajaram em uma campanha para aumentar o número de usuários do Sistema Urubu, um aplicativo que pode ajudar a mapear os atropelamentos de fauna silvestre no Brasil e propor medidas mitigatórias de forma mais eficiente. Foi criado o Dia Nacional de Urubuzar, que teve a participação de cerca de 60 zoos, e que em um dia duplicou a quantidade de usuários do Sistema, de 5 mil para 10 mil pessoas. Os pretensos santuários no Brasil, a não ser que eu esteja muito mal informada, não trabalham com recuperação de espécies. O foco é apenas em indivíduos, e não há nada que garanta que os animais por eles mantidos vivem melhor do que os animais de zoológicos. O conceito de santuário no Brasil só tem força porque tem como base a visão romântica e irreal que das pessoas que veem estes lugares como Shangri-lás, onde vivem felizes animais resgatados dos zoos. Por sua vez, esta visão só se sustenta porque não há público que possa avaliar as reais condições dos animais. Uma coisa meio no estilo "animais longe dos olhos, mas discurso apelativo perto do coração". Tivemos recentemente circulando a notícia de que a justiça argentina teria aceito um pedido de habeas corpus para uma fêmea de orangotango que vive no Zoo de Buenos Aires há mais de 20 anos, sob o argumento de que ela sofre um "confinamento injustificado"....e que deveria ir para um esquema de "semi-liberdade", em um suposto santuário no Brasil. Isso não é semi-liberdade....é cativeiro da mesma forma, muitas vezes com recintos mais pobres em estímulo do que os zoos e com manejo questionável, onde os animais são alimentados com guloseimas variadas, que vão de feijoada a maionese, passando por marshmallow, tudo facilmente disponível em vídeos no Youtube. Uma coisa é clara: a ausência de público não transforma um depósito de animais em santuário, e o que garante o bem-estar dos animais não é o isolamento das pessoas, e sim um bom manejo. Independente da instituição. A presença de público permite ainda que só no Brasil, cerca de 20 milhões de pessoas por ano possam ser sensibilizadas para questões ambientais através do contato com animais. Já vimos santuários questionarem a eficácia do enriquecimento ambiental feito pelos zoos. Imagino que precisam disso para manter vivo o "mito" do santuário, porque se eles aceitarem que técnicas de enriquecimento podem sim melhorar a vida de animais em zoos, eles desconstroem seu maior (e equivocado) argumento: viver em um zoo jamais pode ser bom para um animal. Acredito que é necessária uma mudança de percepção: em vez de adotar uma postura pró ou contra zoos, que tal perceber que somos todos "pró-animais", e tentarmos juntos construir soluções eficientes? Essa batalha sem fim não agrega, não muda as coisas e divide esforços de quem poderia estar trabalhando de forma integrada. Além disso, tira o foco do problema real: como vamos melhorar nossas instituições? Quem se preocupa com animais deve lutar para que as instituições que os mantém sob cuidados humanos tenham excelência no manejo e priorizem o bem-estar animal, já que o nome "santuário" não garante a qualidade de vida de animal nenhum. A única coisa que a ausência de público visitante certamente garante é que fiquem longe dos "olhos" dos fiscais mais exigentes que uma instituição pode ter: os visitantes.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

A ciência básica é a base!

Belas palavras de Marco Melo. Conseguiu me convencer! A ciência básica é a base! Publicado em 12/12/2014 por Marco Melo em http://marcoarmello.wordpress.com/2014/12/12/cienciabasica/ Inspirado por um artigo que saiu esta semana, resolvi fazer aqui uma defesa da ciência básica. Virou moda hoje em dia dizer que “toda pesquisa deve ter uma aplicação, senão é desperdício de dinheiro público”. Essa é uma enorme bobagem e eu vou mostrar porquê. Vamos começar pelo básico: o que é a ciência? Essa é uma pergunta mais complexa do que parece e você vai encontrar mais de uma definição em diferentes fontes. Indo à raiz da questão, a ciência é uma cultura humana, assim como várias outras. Sendo mais específico, ela é uma das grandes culturas humanas transnacionais e transtemporais que visam entender o mundo. Nessa mesma categoria podemos incluir a religião, a arte e a filosofia. Ciência e filosofia são culturas muito próximas e a diferença entre elas é que a filosofia almeja entender o mundo através apenas do raciocínio lógico, enquanto a ciência visa entender o mundo contrastando o que você espera por lógica contra o que você observa de fato no mundo real. Pode-se dizer que a filosofia é a mãe da ciência, por ser mais antiga e lhe fornecer suas principais ferramentas de pensamento. Partindo do princípio de que a ciência é uma cultura preocupada em entender o mundo através da comparação entre expectativa e realidade, vale dizer que isso pode ser feito de diferentes formas e com diferentes objetivos. É aí que podemos subdividir a ciência de acordo com a finalidade de cada pesquisa: ciência básica, ciência aplicada, ciência translacional, ciência de desenvolvimento e ciência estratégica. A ciência básica se preocupa em responder perguntas que nascem puramente da curiosidade de um cientista sobre como o mundo funciona. A ciência aplicada visa responder perguntas específicas sobre a aplicação do conhecimento científico, normalmente com a intenção de gerar tecnologia em um sentido amplo (desde medicamentos até televisores e métodos de ensino). A ciência translacional visa ajudar a criar pontes entre a básica e a aplicada, de forma a facilitar a criação de tecnologia. A ciência de desenvolvimento visa desenvolver produtos a partir de aplicações recém-descobertas. E, por fim, a ciência estratégica visa criar a base operacional e de negócios para usar o conhecimento científico a fim de resolver uma meta aplicada, confundindo-se em grande parte com a ciência de desenvolvimento. A ciência básica quase sempre parece tolice aos olhos do leigo. Qual seria a finalidade, por exemplo, de se estudar a composição química da saliva de um morcego-vampiro-comum? Que diabos leva um desocupado a estudar como as lagartixas andam pelas paredes? Para que serve descobrir que tipo de ultra-som um morcego emite em diferentes situações de caça? Qual seria a motivação de um desocupado que estuda a maneira como formigas se orientam no chão de um cerrado? O que leva um sujeito a estudar a maneira como a tinta nanquim se espalha em um copo d’água? Por que alguns nerds se preocuparam um dia em saber se seria possível passear pela antiga cidade de Königsberg, passando por todas as suas pontes, mas sem repetir nenhuma? Infelizmente, muito do que fazemos na Ecologia e outras ciências ambientais é visto pelo público geral como “trabalhar de fiscal da natureza”. No entanto, pesquisas aparentemente etéreas como as mencionadas acima criaram as bases para uma infinidade de aplicações práticas que salvam milhões de vidas todos os anos e tornam melhor a vida de outros milhões de pessoas. Vamos usar como exemplo o caso das pontes de Königsberg. No começo do século XVIII, alguns nerds da cidade de Königsberg, na Prússia (que atualmente se chama Kaliningrad e fica na Rússia), ficaram encucados com essa questão das pontes. Resolver esse problema se tornou uma verdadeira mania na cidade, mas ninguém conseguia chegar a uma solução convincente. Em 1736, Leonhard Euler, um matemático suíço que vivia lá na época, matou a charada e, de quebra, criou a teoria de grafos. Essa nova teoria lançou as bases para a teoria de redes, que é uma verdadeira febre hoje em dia. Ou seja, o que começou como uma brincadeira de nerds, típico probleminha de contracapa de revista de curiosidades, deu origem a uma das teorias mais aplicáveis da história, que nos ajuda a planejar e gerenciar desde malhas de aeroportos até redes de computadores, programas de despoluição e medicamentos. Se o problema das Sete Pontes de Königsberg tivesse surgido hoje em dia, e um desses nerds tivesse submetido um projeto sobre o tema para uma agência de fomento, provavelmente teria ouvido que a idéia era perda de tempo, pois não tinha aplicação prática. Pior ainda, se o nerd tivesse sido convidado para um talk show da moda, certamente teria que aturar uma humilhação pública promovida por um apresentador que provavelmente não abriu um livro sequer no último ano. Quem poderia imaginar que, na saliva dos morcegos-vampiros, seriam descobertas substâncias que hoje são usadas em medicamentos para a circulação? Quem poderia imaginar que um cientista italiano, lá no século XIX, descobriria que morcegos usam ultra-sons para se orientar no escuro, e que essa descoberta fundamentaria tecnologias como o sonar de navios e o ultra-som médico? Quem poderia imaginar que as idéias desenvolvidas por nerds brincando de jogar tinta em copos d’água dariam origem à teoria da percolação, usada para resolver um mundo de problemas práticos, que vão desde a descontaminação de áreas onde houve derramamento de óleo até o controle de epidemias? Existem centenas de exemplos como os apresentados acima. Praticamente todas as grandes descobertas da humanidade, que mudaram nossa forma de nos vermos e vermos o mundo, nasceram a partir de pesquisa básica, orientada apenas pela curiosidade de um cientista. É claro que precisamos fazer também ciência aplicada, de desenvolvimento, translacional e estratégica. Essas abordagens são essenciais para salvar e melhorar a vida das pessoas. Mas não podemos nunca nos esquecer de que, para ser possível aplicar um conhecimento, primeiro é preciso que ele seja gerado (como aplicar o que não se sabe?). O fato é que a modinha politicamente correta de desvalorizar a ciência básica tem graves consequências. Por exemplo, os taxonomistas, biólogos que classificam os seres vivos em espécies, estão em extinção, porque as agências de fomento acham que o dinheiro público é melhor empregado em pesquisas com aplicação mais clara. O fato é que a Taxonomia é base de toda a Biologia: sem uma boa classificação dos seres vivos não se faz mais nada. Vários outros ramos da ciência básica, em diferentes áreas, também estão em perigo. A situação é ainda mais séria em países que vivem sob ditaduras assumidas ou veladas, nas quais o líder ou um comitê qualquer de burocratas se outorgam o direito exclusivo de decidir quais pesquisas podem ou não ser feitas. O que mais me assusta é notar que até mesmo alguns cientistas compram o discurso falacioso de que toda pesquisa precisa ter uma aplicação prevista a priori. Sempre foi comum ouvir esse argumento falacioso entre leigos, mas ouvi-lo de cientistas já é demais. Seja por estupidez ou competitividade (afinal de contas, os “aplicados” ficam com a maior fatia do bolo), isso é um verdadeiro tiro no pé. Quero ver os colegas que se acham melhores do que os outros só por fazerem pesquisa aplicada manterem linhas de investigação realmente inovadoras e relevantes sem lerem os papers da ciência básica. Para quem ainda acha que os “fiscais da natureza” fingem que trabalham e apenas passeiam para floresta, estudando a patinha do besouro e sua relação com o sexo dos anjos, recomendo fortemente visitar sites como o do Instituto de Biomimetismo e rever seus preconceitos. As aplicações do conhecimento biológico de base são infinitas. E mais descobertas impactantes só serão feitas, enquanto cientistas curiosos e bem-treinados tiverem liberdade suficiente para estudar suas “questões intangíveis”. Pensamento final: “se raiz forte, bonsai forte” (Myagi 1986). Extraída de http://marcoarmello.wordpress.com/2014/12/12/cienciabasica/

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Critérios de produtividade na avaliação acadêmica levantam críticas sobre os rumos da ciência

ESSA REPORTAGEM FALA DE MUITA COISA QUE FEZ PERDER O TESÃO PELA VIDA ACADÊMICA. MUITAS OUTRAS PESSOAS TAMBÉM FAZEM SEVERAS CRITICAS A ESSE PROCESSO DE AVALIAÇÃO EXISTENTE HOJE. SEM FALAR QUE UM PROFESSOR, EM UMA UNIVERSIDADE TEM QUE SER PESQUISADOR, ADMINISTRADOR (DE LABORATÓRIOS, CURSOS, PROGRAMAS E PESSOAS), RESPONSAVEL POR PROGRAMAS DE EXTENSÃO E, POR ULTIMO, PROFESSOR. NÃO É NADA FÁCIL! ENFIM, LEIAM ESSA REPORTAGEM PUBLICADA EM http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/planeta-ciencia/noticia/2014/07/criterios-de-produtividade-na-avaliacao-academica-levantam-criticas-sobre-os-rumos-da-ciencia-4556579.html E TIREM SUAS CONCLUSÕES. SE QUISEREM COMENTAR ALGO O BLOG ESTA A DISPOSIÇÃO DE TODOS. ABRAÇO A última edição do British Medical Journal discute se fraudes na pesquisa devem resultar em prisão. A radicalidade da sugestão ecoa a crescente preocupação com a impostura científica, cujos desdobramentos não raro desembocam em escândalo. Publicada na revista Nature em janeiro, a descoberta de uma técnica para transformar células adultas em pluripotentes, capazes de se diferenciar em qualquer outro tipo de tecido, foi retratada após meses de polêmica. Leia mais no Planeta Ciência O falso pulo do gato: meia hora banhadas em ácido e cinco minutos em uma centrífuga induziriam as células a uma condição análoga à das células-tronco embrionárias, prontas para virar tecido ósseo, cerebral e cardíaco, e tudo isso sem alertar o sistema imune contra invasão. Laboratórios não conseguiram reproduzir o experimento, e em abril o instituto Riken, no Japão, acusou a líder do projeto, Haruko Obokata, de falsificação intencional. Além de mostrar “desleixo” no registro dos testes, Obokata editou imagens de DNA para que seus resultados parecessem melhores do que de fato eram. O instituto concluiu que faltava a Obokata “não apenas a noção de ética na pesquisa, como integridade e humildade enquanto cientista”. O vexame lançou a Nature em uma revisão de procedimentos para aceitação de artigos “para garantir que as verbas governamentais não sejam desperdiçadas e a confiança dos cidadãos na ciência não seja traída”. Mas o problema pode ser menos particular do que o instituto e a revista sugerem. De acordo com pesquisadores da Faculdade de Medicina Albert Einstein, em Nova York, a retratação de artigos fraudulentos aumentou em 10 vezes desde 1975. - Por quê? É mais fácil achar desvios em meio eletrônico, mas a pressão também aumentou para que os pesquisadores publiquem rapidamente e com o maior impacto possível para garantir financiamento e promoções. Agora temos um indexador individual de produtividade que não escapa a empregadores e comitês de promoção - aponta Julian Crane, da Universidade de Otago (Nova Zelândia), ao fundamentar a sua rejeição à criminalização das fraudes. No ano passado, o americano John Bohannon mostrou na Science o que aconteceu quando ele enviou um artigo sem pé nem cabeça para 304 revistas científicas: 157 delas aceitaram. Assinado por um autor fictício de nome estapafúrdio (Ocorrafoo Cobange), o trabalho vinha de uma universidade que também está para ser achada no mundo real: o Wassee Institute of Medicine, sediado em Asmara, não existe fora da imaginação de Bohannon. - Revistas científicas de acesso aberto se expandiram a uma indústria global, movida por taxas para publicação em vez de inscrições tradicionais - explicou Bohannon. No Brasil, de olho em alavancar o seu “fator de impacto” (F.I., baseado na quantidade de citações de artigos publicados nos periódicos), quatro revistas científicas foram enquadradas no ano passado em um esquema de “citação cruzada”: uma cita a outra, que cita a próxima, e assim sucessivamente, até que todas pareçam muitíssimo relevantes. O quarteto ficou de castigo: F.I. suspenso por um ano. Editor da Clinics, Maurício Rocha e Silva foi afastado do cargo, alegando ao periódico Nature que o esquema derivou da frustração com os critérios da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), do Ministério da Educação, cujas políticas de ranqueamento baseadas no F.I. dificultariam o crescimento de revistas pequenas ou recém-lançadas, sempre preteridas pelos pesquisadores. MERITOCRACIA? Randy Schekman, Nobel de Medicina de 2013, chamou recentemente as renomadas revistas Nature, Science e Cell de “tirânicas”, veículos de critérios menos científicos do que mercadológicos, que valorizariam feitos “chamativos” e temas “da moda”. Nobel de Física de 2013, Peter Higgs também andou reclamando, por entender que, conduzisse hoje os seus estudos, seria demitido por falta de produtividade. Para fechar o carreto dos nobéis rebéis, um dos premiados em 2002 na categoria Medicina, Sydney Brenner, diz que “agora temos laboratórios que não funcionam como os de antigamente, onde as pessoas eram independentes e perseguir as suas próprias ideias”. Em entrevista concedida à revista britânica King’s Review, Brenner cogita que Fred Sanger, cientista fundamental na façanha de sequenciar o RNA e o DNA, “não sobreviveria no mundo da ciência de hoje” pois logo ganharia a pecha de - adivinhe lá - improdutivo. De acordo com Brenner, os pesquisadores agora devem seguir uma rota estreita e previsível porque “os burocratas da ciência não querem correr riscos”. Algumas das críticas mais contundentes ao sistema brasileiro têm sido assinadas pelo professor Renato Santos de Souza, do programa de Pós-Graduação em Extensão Rural da UFSM. Em artigos bastante difundidos na internet, ele diagnostica uma “doença da normalidade” no mundo acadêmico, tomado que estaria por um combo nocivo de burocracia e meritocracia. - Há uma insana corrida por publicar, não importando o quê, como forma de alimentar currículos. É mais seguro produzir “mais do mesmo”, reproduzir, com pequenas modificações, aquilo que já vem sendo pesquisado e publicado. Ou seja, a lógica também é produzir em grande escala produtos (neste caso artigos) com baixo custo e baixo risco - afirma o professor, comparando a produção de conhecimento hoje ao modelo industrial fordista. De acordo com Souza, “a estrutura institucional, com suas normas, critérios de avaliação, distribuição de recursos e reconhecimento profissional que induz a esta forma de produção, cujo produto é o artigo, e não o conhecimento em si” estimula que pesquisadores, professores e alunos se tornem “burocratas comportamentais”. O privilégio da quantidade sobre a qualidade faria com que os meios se tornassem “fins em si mesmos”. - Já participei como avaliador de processos para bolsas de iniciação científica em que a consistência e relevância do projeto submetido representava menos de um centésimo da pontuação que a maioria dos candidatos alcançavam. O restante era a produção bibliográfica dos currículos dos pesquisadores - conta Souza. A universidade espelharia, portanto, a “lógica organizacional e institucional altamente estruturada” representada no país pela CAPES e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). De acordo com o CNPq, "a ciência mundial se expressa fundamentalmente por meio de artigos científicos publicados em revistas especializadas com revisão por pares seletiva, uma sistemática que permite não apenas oferecer controle de qualidade da ciência produzida como também provê ampla divulgação de novos achados, permitindo o avanço mais rápido e profundo nas fronteiras do conhecimento". O órgão destacou também que "a produção acadêmica deve ser avaliada em suas múltiplas facetas, e no quesito publicações deve ser dado destaque à qualidade e relevância dos artigos científicos, e não apenas à quantidade". Segundo o CNPq, os seus comitês julgadores "são orientados a avaliar a contribuição científica, tecnológica e de inovação. Para tal, no Curriculo Lattes do CNPq os pesquisadores possuem campos para incluir sua produção tecnológica, tais como produtos, processos, patentes, registros, dentre outros." Também contatada, a CAPES informou que não poderia atender à reportagem em tempo hábil. (DES)PRESTÍGIO POLÍTICO A chanceler alemã Angela Merkel já perdeu dois ministros enredados em acusações de plágio. Em 2011, o dono da pasta da Defesa, Karl-Theodor zu Guttenberg, renunciou quando acharam 130 páginas suspeitas em sua tese de doutorado em Direito. Já a confidente de Merkel, a ex-ministra da Educação Anette Schavan, pediu demissão em fevereiro do ano passado, após acusações de plágio levarem à cassação do seu diploma de doutorado pela Universidade de Dusseldorf. Mais recentemente, em abril, o ministro de Cooperação e Desenvolvimento, Gerd Müller, sofreu nas mãos do “caçador de plágios” Martin Heidingsfelder, que foi buscar em uma tese de 25 anos atrás evidências de que Müller se valeu de ideias alheias para emplacar o seu trabalho na Universidade de Regensburgo. Se os teutônicos não perdoam a gambiarra científica, na Rússia um título de Doutor é tão solene que, no afã de alcançar tal prestígio, deputados, procuradores, ministros e até um sacerdote já estiveram entre os suspeitos de plágio. Não à toa, há russos de espírito detetivesco dedicando os seus dias a rastrear artigos assinados por políticos e celebridades. Após investigação de poucos meses, o grupo Dissernet revelou cerca de mil teses de famosos que, em alguns casos, sequer haviam lido o que assinaram. O governador da região de Tula, Vladimir Gruzdev, foi acusado de copiar praticamente todas as 182 páginas de sua tese, reservando-se o pudor de tirar do próprio tino uma introdução e um título. Uma petição online reuniu milhares de assinaturas contra o advogado Pavel Astakhov, delegado do Kremlin para os direitos das crianças, acusado de copiar textos sem citar a fonte. O blogueiro Viktor Levanov, munido do sistema Antiplagiat, farejou quase 20% de frases roubadas em uma monografia da secretária de Estado e vice-ministra da Educação, Natália Tretiak. Não ficou barato nem para o reitor da Universidade Pública de Volvogrado, Oleg Inshakov, que teria copiado quase 6% do texto que culminou em um trabalho sobre gestão de crise com o uso da tecnologia. Causou surpresa aos russos, portanto, quando o Antiplagiat descobriu que uma tese do ministro da Educação, Dmítri Livanov, era completamente original.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Contagem descobre grande população de onças em região do MT Pesquisadores do projeto Bichos do Pantanal estão fazendo a contagem de onças-pintadas que habitam todo o corredor pantaneiro na região de Cáceres (MT). Já identificaram 54 animais diferentes em uma faixa de 300 quilômetros às margens do rio Paraguai, próximo à Estação Ecológica Taimã. Nas décadas de 70 e 80 as onças praticamente sumiram do bioma pantanal, por causa da intensa comercialização internacional de peles para a moda. “Fiquei muito surpreso com essa contagem, porque isso já pode ser considerada uma grande população desse felino que está aumentando nos últimos anos”, comemora o americano Douglas Trent, que é coordenador de pesquisas do projeto Bichos do Pantanal. Segundo ele, ativistas ambientais tiveram uma função primordial para coibir a caça voltada apenas para a extração da pele e as pessoas de modo geral estão mais conscientes que biodiversidade é patrimônio. “A onça continua na moda, só que apenas o desenho delas e isso é muito bom!” A onça-pintada é um dos principais símbolos do pantanal, a maior planície inundável de água doce do mundo. Mais do que ser um símbolo, é o maior predador da região e, portanto, uma espécie indicadora de equilíbrio e saúde ambiental em todo o bioma. Douglas estuda os animais há 34 anos e é um apaixonado pela fauna brasileira, suas peculiaridades e beleza exuberante. Ele explica que cada onça tem um padrão de pintas na testa. “Olha que incrível! É como se fosse a digital delas”, compara o especialista. Sendo assim, é possível fazer a contagem à distância de forma menos invasiva do que outros métodos, que usam, por exemplo, tiro com tranquilizante para imobilizar os alvos. Nesse caso, basta fazer a foto. Por isso mesmo que todo mundo pode colaborar com a contagem. Turistas e outros pesquisadores já estão usando um aplicativo, o íNaturalis, hospedado no site do projeto, mandando fotos via mídias sociais, como facebook, por exemplo. O sistema é preparado para filtrar possíveis informações erradas. Dessa mesma forma estão sendo contadas as baleias francas em Santa Catarina e os macacos muriquis em Minas Gerais. Equilíbrio natural – Na falta de onças, outros animais pantaneiros, como veado e a capivara, por exemplo, proliferam muito e devastam a flora local. Isso muda a ordem natural das coisas e o cenário pantaneiro. “Por isso que preservar a onça, mantê-la sossegada em sua vida, é o mesmo que preservar o pantanal, da forma como ele é”, explica o pesquisador Douglas. “Esse bioma esteve em equilíbrio por mais de 15 milhões de anos. Não podemos deixar que isso acabe agora.” Por outro lado, a superpopulação de onças também pode causar problemas, como ataques a humanos que vivem próximos. Um caso em 2008 chamou a atenção para isso. Um pescador, chamado Alex, vivia da venda de iscas para barcos-hotéis da região, que promovem a pesca turística. “Naquele dia ele tomou muita cachaça em um barco e voltou bêbado para um acampamento que montaram, ele e o pai, em um local onde duas onças frequentavam próximo à Estação Taiamã”, conta o pesquisador. “Onça é um felino. Não sei se você tem gato em casa, mas se tem vai saber que gato é assim: se você o trata bem, ele te tolera. Se você o trata mal, ele não esquece. Mais cedo eles haviam espantado essas onças com foguetes barulhentos, mas elas voltaram, neste caso, por instinto e atacaram o pescador. O pai dele só ouviu um grito. Depois disso, voltou ao barco e juntou cerca de 20 homens para resgatar o corpo do filho. Quando chegaram lá, as duas onças estavam se alimentando dele. Eu vi as fotos, para não querer ver nunca mais”, relata Douglas, que, por força do ofício, já esteve próximo a elas diversas vezes. Ele lembra ainda que as onças-pintadas são importantes também para o turismo local. Embora isso ainda seja bem mais incipiente no Brasil do que na Europa por exemplo. “Aqui recebemos 6 mil turistas por ano. A Espanha recebe 55 mil”, compara o pesquisador. O projeto Bichos do Pantanal é realizado Instituto Sustentar de Responsabilidade Socioambiental com patrocínio da Petrobras. (Fonte: Terra)

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Justiça do Mato Grosso suspende licença prévia da Usina Hidrelétrica São Manoel, no Rio Teles Pires

Para aqueles que ainda acham que Licenciamento Ambiental não serve pra nada...vejam a matéria mais abaixo. Concordo sim com as reclamações de muitos que falam que é um processo lento e moroso, muitas vezes burocrático, porém são estudos ambientais baseados em metodologias científicas, geralmente formulados e aplicados por pessoas que estudaram diversos anos para tal e não em interesses políticos (como está sendo proposto por integrantes do governo). Estes estudos relacionam a fauna, a flora, as pessoas que vivem no entorno de uma área que será afetada e muitos outros pontos, é um trabalho que envolve dezenas e dezenas de pessoas para coletar dados e posteriormente interpreta-los, dessa forma tenta-se projetar o que ocorrerá em toda a zona de entorno de empreendimentos de grande porte (tal qual hidrelétricas - que falam sempre em energia limpa - na verdade é uma energia limpa mesmo, porém a maioria das pessoas não percebe o quanto se destroi para a formação de um grande lago de armazenamento, as consequencias ambientais da formação desse lago, a remoção de diversas comunidades, até de cidades inteiras). Surge como obrigatório pensar-se em alternativas de produção de energia e aqui falo em energia eólica e solar, e esquecer essa ideia de fazer grandes barragens que afetam todo um ecossistema e muitas vezes levam embora belezas cênicas que nunca mais serão vistas (exemplo disso são as hidrelétricas no Rio Uruguai, onde um famoso ponto turístico chamado Estreito do Uruguai já desapareceu no inicio dos anos 2000 e agora querem afundar com o Salto do Yucumã, no noroeste gaúcho). Eu, como Consultor Ambiental, especialista em um grupo de fauna, afirmo sem ressalvas, que para instalação de empreendimentos de grande porte, é inadmissivel que não existam estudos ambientais que façam um levantamento de dados e interpretação dos resultados, com o objetivo principal de mitigar os impactos que este empreendimento causará e qual o papel do empreendedor para compensar essas perdas. A ideia destas postagem é de gerar um debate, diante disso espero opiniões de vocês leitores, para que possamos melhorar nossas ideias e crescer sempre. Abraço a todos. A Justiça Federal do Mato Grosso suspendeu o licenciamento da Usina Hidrelétrica São Manoel, no Rio Teles Pires. O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) deve suspender a licença prévia que concedeu ao empreendimento, sob pena de multa de R$ 500 mil, de acordo com a liminar pedida pelo Ministério Público Federal (MPF). Em sua decisão, o juiz Ilan Presser, da 1ª Vara de Cuiabá, aponta que os estudos de impacto ambiental da usina mostram que a obra atingirá as terras indígenas Munduruku, Kayabi e Apiaká do Pontal. Nesta vivem indígenas que optaram pelo isolamento voluntário como estratégia de sobrevivência, “É inadmissível a imposição da aceleração de um procedimento complexo de licenciamento, que ignore os impactos socioambientais sobre as comunidades com povos indígenas isolados”, avalia o juiz. A Justiça também chamou a atenção para o fato de que não se trata de apenas uma usina, mas de um conjunto de empreendimentos que podem mudar a região inteira. O complexo hidrelétrico do Rio Teles Pires prevê sete barragens. Reportagem de Sabrina Craide, da Agência Brasil, no EcoDebate, 02/05/2014